A minha vida dava um filme: Gravações, duas crónicas, três ensaios e um aleijado

A minha vida dava um filme: Gravações, duas crónicas, três ensaios e um aleijado
A minha vida dava um filme: Gravações, duas crónicas, três ensaios e um aleijado

O que é uma simples/plain/bored/normal terça-feira na vida de uma jornalista/blogger/bailarina-wannabe/esposa extremosa?!? UM CAOS!

O que começou com um prenuncio de um dia muito corrido, acabou no caos imprevisível e esquizofrénico de luta contra o relógio, provocado por um acidente minutos antes do meu último (e terceiro) ensaio do dia.

O que é que estava na “minha agenda” para a terça-feira que passou? Vocês fazem sempre boas perguntas, pah! Vou explicar:

Imaginem isto filmado, em jeito de “vlog” (nomenclatura cool para uma espécie de reality no youtube) com o título “Um dia na vida corrida de The Coolunista”, com grafismos de numeração, com horas, a surgir a cada frame para marcar o compasso do tempo.

9h30 = Escrever textos e gravar pivots (convém continuar a exercer a minha profissão, certo?Ahahah);

11h30 = Preparar duas crónicas para as duas publicações em que colaboro – Check;

12h45 = Enviar as duas crónicas para aprovação. Olé!;

13h00 = Sair do trabalho e ir a pé para a Jazzy, para o primeiro ensaio do dia, enquanto no percurso filma-se algo para o Snapchat;

14h00 = Regresso ao trabalho. Almoço em marmitas preparadas na madrugada deste dia:

15h00 = Pesquisa para trabalhos futuros;

17h00 = Pausa para lanche. Quando uma pessoa está a treinar assim tanto tem MESMO que parar para comer marmitas.

17h30 = Escrever mais textos. Responder a emails e preparar a produção de futuras gravações;

18h30 = Sair do trabalho a pé para o segundo ensaio do dia. Desta vez para me acabar no chão da Jazzy com a coreografia de jazz (não é redundância, é mesmo verdade);

19h30 = Pausa para comer uma gelatina no bar da Academia. Recuperar energias antes do terceiro e último ensaio do dia. Ufa!

19h35 = Estava tranquilamente a respirar fundo, pela primeira vez neste dia quando o telefone toca…

Marido: “Estou?! Estás onde?” (voz estranha)
Marta: “Estou na Academia há espera pelo próximo ensaio”
(silêncio)
Marido: “Ah… é que vim treinar aqui para os trilhos e… epah, não sei o que se passou, mas… (por esta altura comecei a ficar preocupada com o tema e com a cadência da voz) acho que rompi o posterior da coxa”.

SAY WHAT?!?! Como é que alguém diz “posterior da coxa” assim sem preparação e a meio de uma gelatina?!?!?!

Marta: “Então, mas… estás bem?! Onde é que estás? Consegues andar?”
Marido: “Pois, o problema é esse. Acho que não consigo andar…”
Marta: “Achas ou não consegues mesmo? Já tentaste?!” (isto até podia dar para rir, mas na altura apeteceu-me chorar)
Marido: “Não. Não. Não estou a conseguir por o pé no chão…”
(Silêncio)
Marta: “Onde é que tu estás que vou já para ai buscar-te?!”
Marido: “Não, não deixa estar. Eu vou tentar chegar a casa”.
Marta: “Estás parvo ou quê? Onde é que estás?!
Marido: “Ah, estou aqui na zona dos trilhos no Jamor, junto ao rio…”
Marta. “Ok, não saias dai. Vou a voar”.

19h45 = Vou buscar as malas todas ao cacifo, sem saber se ainda regressava. Dou saída na porta. Entro dentro do carro e vou a voar, literalmente, para o Jamor;

20h05 = Estou quase a chegar… No caminho pensei em todas as maneiras possíveis e imaginárias de chegar até ao aleijadinho que jazia algures numa zona descampada entre a terra-do-nunca e o infinito-e-mais-além.  Lá percebi que tinha que entrar na zona reservada do parque e tentar passar num caminho de terra batida que me ia levar à estrada e só depois ao descampado. Relembro que não tenho um jipe todo-o-terreno, tenho um Smart (Palminhas para mim);

20h10 = Chego à cancela do Parque, toco à campainha e surge uma voz…

Voz: “Sim, boa tarde?!”
Marta: “Boa tarde. Eu queria pedir autorização para entrar com o meu carro aqui dentro do Parque, porque o meu marido ligou-me e ele está lesionado algures numa zona descampada e tenho que ir lá buscá-lo, que ele não consegue andar”
(Silêncio do outro lado)
Voz: “Hum… Mas ele está onde?!”
Marta: “Ele está algures ali na zona dos trilhos, no descampado ao pé do rio”
Voz: “Mas… ali no (e disse um nome que não sei pronunciar)”
Marta: (Calma, muita calma nessa hora) Como deve calcular eu não faço a mínima ideia de como se chama o local exacto de onde ele está. Primeiro, porque não conheço os nomes dos sítios no parque e segundo porque eu não sei exactamente onde ele está (devia ter-lhe dito que ainda não tenho um GPS incorporado nas minhas partes baixas. Ppppffffff…)
Voz: “Pois, mas eu preciso de saber para pedir autorização.
Marta: “Pois, mas eu não sei…”
(Silêncio. Do outro lado ouvia-se a voz a falar com outra pessoa em códigos que não percebia)
Voz: “Pronto, passe lá… (voz um pouco contrariada)”

20h20 = Sai a toda a brida pelo caminho que tinha visualizado na minha cabeça e… Aleluia irmãos, que os meus tempos de escuteira deram frutos (não vale gozar!). O meu sentido de orientação alinhou-se e lá encontrei o homem, coitado à beira da estrada, entravado da coxa e meio branco, sem saber o que é aconteceu.

20h30 = Saímos do Parque, a caminho de casa. Neste momento debatiamo-nos entre ir para casa e tratar do assunto com as mesinhas normais, ou ir para as urgências. Ganhou o ir para casa, porque segundo o meu homem, que é entendido na matéria, durante 48 horas não há muito mais a fazer do que gelo, Voltaren e anti-inflamatório. Assim foi.

20h35 = Chegámos a casa. Coloquei-o a fazer gelo. Fui preparar a medicação. Dei uma massagem com o gel. Passeei a cadela que estava histérica de emoção. Dei o jantar à filha de quatro patas. Dei o jantar ao marido moribundo, para que pudesse tomar os medicamentos. Substitui o gelo. Apanhei roupa. Guardei roupa. Coloquei louça na máquina. Arrumei as coisas do jantar e sai…

21h20 = Voei para o último ensaio de dança do dia. Desta vez de saltos altos, o que a cada movimento quase me saiam as lágrimas pel’zó’lhos, porque as minhas pernas estavam tão massacradas do dia, que estavam a fazer um “no, no, no, noooooo don’t funk with my heart!!!”

23h00 = Cheguei arrasada a casa, para ainda levar a cadela, mais uma vez à rua (como é que uma coisa tão pequenina tem sempre tanta coisa para fazer na casa-de-banho? Deixo a pergunta). Fazer mais uma sessão de gelo e massagem com anti-inflamatório e…

23h45 = … Morri algures por volta desta hora.

Olhem… VIDAS!!!!!

Boa quarta-feira, que hoje é um novo dia. ZIMBORAAAAAAAAAAAAAAA!!!

Seguir:
Marta Neves
Marta Neves

Encontrei no universo feminino a minha missão: partilhar, aprender e ajudar. Nasceu o Marta Neves, para me sentir mais eu, mais em sintonia com a minha essência. Despida de formalismos ou preconceitos, serei EU. A mulher. Apaixonada de coração pela vida e pelos outros.

Share:

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.