A quantos metros estamos dos nossos sonhos?

A quantos metros estamos dos nossos sonhos?
A quantos metros estamos dos nossos sonhos?

Esta é A questão do documentário 20 Feet from Stardom. Já o viram?! Meu Deus, que viagem… Eu ainda não tinha visto (que grande falha!) o documentário de longa-metragem que ganhou o Óscar de 2014 para esta categoria. Um filme de Morgan Neville, protagonizado por um elenco de luxo: Darlene Love; Merry Clayton; Lisa Fischer; Tata Vega; Claudia Lennear. Sabem quem são!? Não??! EXACTO!!!!

A grande premissa do documentário baseia-se exactamente nesse desconhecimento: porque é que algumas pessoas conseguem chegar ao estrelato e outras não? O que é preciso para se ser uma estrela?
Dir-me-ão: talento! E se eu vos disser que as vozes que ouvem no filme são das melhores que alguma vez vão ouvir na vida?! Então, esta teoria cai por terra.

Ora bem, from the top! Este documentário conta-nos a estória de cinco back-up singers que foram (são!!!) as melhores de SEMPRE. As vozes destas mulheres são impressionantes, de Aretha Franklin para cima. Uma coisa absolutamente estrondosa. Mas, apesar, do seu talento inegável NUNCA conseguiram passar da parte de trás de um palco para a frente. Porquê?

Muitas são as estrelas musicais que ao longo deste filme são convidadas a reflectir sobre este fenómeno. É interessante ver o respeito como Bruce Springsteen fala sobre os seus coros. Como Stevie Wonder deu a mão e emprestou talento para que duas destas cantoras pudessem singrar. Ficamos a saber que Mick Jagger contratou pela primeira vez uma destas coristas para ser a sua voz principal feminina e desde então esta figura tomou um papel central na sua discografia (e dormiu com outra delas…shiuuuuu!!). E como Sting idolatra a cantora que para mim é a grande revelação deste filme – Lisa Fisher.

A quantos metros estamos dos nossos sonhos?

E é sobre esta figura que a minha perplexidade tomou dimensões avassaladoras, que não deixei de projectar na minha própria vida. Todos os “especialistas” e verdadeiros dinossauros musicais nesta película caem aos pés de Lisa. Ela é simplesmente GENIAL. A mistura perfeita entre talento indiscutível, técnica, sensibilidade, personalidade e CARISMA – essa grande característica que não se ensina, explica, apreende, mas que vende, move multidões, capta paixões e transforma. Ela tem isso TUDO! She got the voice and the looks. Então, mas… como não aconteceu nada? Como é que ela não é a melhor cantora do MUNDO!?

É esta falta de objectividade efectiva e devidamente contextualizada que abre espaços a interpretações várias. Há quem defenda que é preciso uma certa “loucura” e desprendimento com a “norma” para se ser uma estrela. Um certo… “não quero saber” ou “não me importo de sacrificar tudo em prol dos meus sonhos”, esta noção de que “you got to wanted above all” (não consegui arranjar a mesma força de expressão em português). E eu consigo relacionar-me com esta teoria. Sempre corri atrás de tudo o que foi colocado no meu caminho. A passagem bíblica que guardo diariamente como mantra é a dos “Talentos”. Temos que colocar sempre os nossos talentos a render. Sermos a melhor versão daquilo a que fomos chamados. Quer seja como profissionais, como amigos, como mulheres, como tudo.

Infere o documentário que alguém que consegue é alguém que não questiona os seus ímpetos, que corre atrás dos seus sonhos no matter what e que só pára quando lá chegar. Alguém com aquela ambição-matadora de correr atrás de cada oportunidade e agarrar-se, com unhas e dentes, à primeira que encontrar. Eu percebo e relaciono-me. Mas depois Sting baralha tudo quando diz que “não há oportunidade sem destino”, concretização sem um feliz acaso, um momento, uma oportunidade. E é aqui que ele me mata! É aqui que a roleta do destino joga sem piedade… Quem? Porquê? Como? Ainda não há explicação… Como se tem sucesso com o dom que se tem?

E é por isso que a estória de Lisa Fisher foi tão comovente para mim. Eu adoro documentários por isto. Há qualquer coisa no uso da verossimilhança, da aparência do real, que me toca e emociona. E ela tocou-me…
Por isso é que acabamos o filme a pensar: quantas e quantas pessoas talentosas não devem existir neste mundo que estão a apenas 6 metros (20 feet) dos seus sonhos? Quantas!?
Eu não quero ser uma delas e estou inspirada a encurtar a minha distância.

Agora fiquem com o trailler do doc e não digam que não ficaram mega curiosos?!

Aqui está Lisa Fischer no famoso vídeo dos Rolling Stones – Gimme Shelter – live em 1995.

E neste vídeo Lisa está com Tina Turner em palco. Tão, mas tãoooo bom. 

Seguir:
Marta Neves
Marta Neves

Encontrei no universo feminino a minha missão: partilhar, aprender e ajudar. Nasceu o Marta Neves, para me sentir mais eu, mais em sintonia com a minha essência. Despida de formalismos ou preconceitos, serei EU. A mulher. Apaixonada de coração pela vida e pelos outros.

Share:

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.