Crónica “New in Town”: ‘Ain’t Your Mama’, o novo repto feminino-pós-moderno-de-2016

Crónica “New in Town”: ‘Ain’t Your Mama’, o novo repto feminino-pós-moderno-de-2016
Crónica "New in Town": 'Ain't Your Mama', o novo repto feminino-pós-moderno-de-2016

Contexto
JLo toda molhada, makeup FLAWLESSnuma cabine do século passado (quase a roçar no vintage), fala com alguém que não a ouve… Desliga o telefone antigo, segue para estúdio e no set começa o seu discurso pós-feminista de libertação, que se propaga em ondas hertezianas!

“I Ain’t Yo Mama”

POW POW POW
É lançado o repto- feminista-com-equipa-de-produção e product placemment da Lavazza?!?! (what?!!? For real?!?!)

Já sabemos…
A Beyonce já usou a estética. A Queen-B já imprimiu a mensagem noutras coisas, sem ter este pop latino a soar no fundo dos acordes. Já percebemos. É muita Girl Power. És buéda nice and cool and poderosa mas…não considero. Ou aliás, considero, porque ninguém mais fica diva num look de escritório (fato purple-blue) que é LINDO!!!! A sério, parece que foi cosido no corpo da bicha. Porra… chamem-me tudo, mas há muito tempo que não tinha assim uma reacção de love-desejo a um outfit, i may confess…

Contudo, todavia, portanto, por mais que queiramos apregoar que é mais do mesmo, o grito da JLo tem aspectos modernistas:

I ain’t gon’ be cooking all day, I ain’t your mama
I ain’t gon’ do your laundry, I ain’t your mama
I ain’t your mama, boy, I ain’t your mama
When you’re gon’ get your act together?
I ain’t your mama
No, I ain’t your mama
No, I ain’t your mama, no

Eu acho, e digam-me vocês minhas caras companheiras aí desse lado, que JLo não é parva. Ela está atenta ao que se está a passar nos lares alheios e, quiçás, bem caseiros. Não é por acaso que se faz a associação a esta música e ao desdobramento da letra com a sua vivência amorosa partilhada com mutchatchos beeeeeeem mais novos. 
Ahhhh pois é!!! Estamos muita fortes na investigação!!!

Wake up, rise and shine
Let’s get to work on time
No more playing video games
Things are about to change, ‘round here, ‘round here

Se nos tempos idos se falava num machismo mimético apontado à reprodução de comportamentos advidos das nossas bisavós, avós, mães, em que o homem era protegido de todo e qualquer pega mão caseiro. Hoje as coisas são, ou pelo menos podiam ser bem diferentes. 

Não quero fazer deste post um lavar de roupa suja (só para manter o tema), mas que há por aí muito casco-velho-novo HÁ! Já ouvi muitas amigas minhas e conversas-alheias que vou tendo oportunidade de presenciar, que se queixam, e perdoem-me a generalização, de que os seus homens (ou direi “boys”?) DESTA GERAÇÃO não mexem uma palha em casa! 

Só querem estar de papo para o ar a coçá-las, preocupados com as suas coisinhas, com o seu trabalhinho, com as suas redezinhas sociais, com o seu joguinho da playstation, com o seu grupinho de amigos do Whatsapp, com o desempenhozinho no ginásio, com as suas marmitinhas, com o franguinho e com a batatinha doce (o diminutivo é mesmo para apelar à sobre-infantilizarão comportamental).

Oi? Como assim?! Quando é que nos tornámos as mães-lá-de-casa?!?!?!  

We used to be crazy in love
Can we go back to how it was?
When did you get too comfortable?
Cause I’m too good for that, I’m too good for that
Just remember that, hey

Hey mesmo! 
Porque, aqui é que está o busílis da questão, com sotaque de nuestros hermanos – quando é que os homens se tornaram tão confortáveis no seu papel de boys? 

Quando é que deixaram de lutar, de se preocupar, de ajudar, de conquistar (prometo que não vou dizer mais nenhuma palavra acabada em ar)?! 

Ponho aqui a minha mãozinha no “fuego” que 80% dos relacionamentos acabam assim. Juro! Daquilo que sei, vejo e oiço é verdade, verdadinha. Não há conquista. Não há romance. Não há nada. Só cuecas para lavar e uma máquina de loiça para tirar. 

As pessoas deixaram de se preocupar com o outro, com o seu bem-estar e vivem nas suas relações consumidos pelo síndrome do filho-pródigo – tudo quero, a tudo tenho direito. 

E contra mim falo que estou sempre a poupar o “boy” lá de casa das suas tarefas, dos seus afazeres. Prefiro sacrificar-me a sacrificá-lo, como se pedir ajuda fosse uma ofensa para a humanidade. Infelizmente nasci com o síndrome da super-mulher (normalmente as super-mulheres acasalam com os filhos-pródigos), que acha que tem que fazer todas as coisas sem pedir ajuda. Pppppfffff… Há grandes pancadas! 

Na, na nim, na não! I Ain’t your MAMA, filho!!! Gritem todas! 

 Lucky to have these curves
Stop getting on my nerves
You still tryna ride this train?
Some things have got change, ‘round here, ‘round here

Mai’nada! Ou queres ou já gozas! É este o lema. Façam-se à vida meninas. Temos que começar a por e a impor os nossos limites. Sermos assertivas com aquilo que queremos e não queremos. Temos que verbalizar. Temos que dizer o que procuramos numa relação e não ficar à espera que o outro, miraculosamente ou por osmose de pensamento, perceba o que desejamos. Preferencialmente, em fatos saia-casaco roxos-colantes.

FALEM! Neste caso, cantem, para os vossos homens!

When you’re gon’ get your act together?
I ain’t your mama
No, I ain’t your mama
No, I ain’t your mama, no

Eu percebo-te Mama! Eu estou contigo J Lo, mas (question!)… porque é que tinhas de estragar tudo com essas calças de cowgirl à la Louis XV??

Ias tão bem e esbardalhaste tudo no final…

PS: Se tudo o resto correr mal na visualização deste clip, vale pela prestação da nossa diva-lacradora-bailarina portuguesa – Di Matos – que está a limpar todos os castings e performances com as maiores celebridades mundiais. Ela está a divar e a rebentar! You go Girl. Muito, muito orgulho!
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Marta Neves
Marta Neves

Encontrei no universo feminino a minha missão: partilhar, aprender e ajudar. Nasceu o Marta Neves, para me sentir mais eu, mais em sintonia com a minha essência. Despida de formalismos ou preconceitos, serei EU. A mulher. Apaixonada de coração pela vida e pelos outros.

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