Da série: “Quando acordas com buço e sem cuecas”… O que é que se passa com a minha vida?!

Da série: “Quando acordas com buço e sem cuecas”… O que é que se passa com a minha vida?!
Da série: "Quando acordas com buço e sem cuecas"... O que é que se passa com a minha vida?!

Hoje foi um acordar do além…
It’s Getting Real, Girls!!!

Despertador toca três vezes seguidas, porque continuo a insistir no snooze, quando já não faz sentido, nem me faz bem à sanidade mental, depois de uma noite a dormir e a acordar, a dormir e a acordar, com o calor que se fazia sentir naquele quarto, que parecia ter chupado toda a hotness do dia, para gentilmente expurgar à noite. Que bom… Palmas!

Lá acordei, com um olho meio aberto, meio fechado para performar a rotina normal das manhãs: Festas na Concha – casa-de-banho – passagem rápida pelo feed no Instagram – abertura do guarda-roupa – desespero pela falta de opções – resignação à evidência – escolha do modelito – casa-de-banho – duche supersónico – creme no corpitxo – creme no focinho – desodorizante – vestir a farpela escolhida – e… 

Onde estão as cuecas?
Não tirei as cuecas da gaveta? Que estranho… 
Vou à gaveta, aparentemente atolada de coisas, para dar de caras com a incredulidade. 

NÃO TENHO CUECAS! Tudo em Caps e em nudez. 

Oi? Como assim? Mas eu tenho cuecas. Eu estou a vê-las. Porém, não são cuecas, sabem?

Não sei quanto a vocês, mas eu tenho as minhas cuecas bem divididas por segmentos distintos: tipo, ocasião e conforto. 

Estes segmentos são importantíssimos na minha vida e, direi, na vida de qualquer mulher. São a base do sucesso. A Pirâmide-da-Satisfação-da-Roupa-Interior. 

E o que aconteceu comigo foi um fenómeno muito interessante de processar. A saber:
Acontece que durante muitos anos, nos meus tempos de mocidade, comprei muita cueca e muito soutien básico. Sabem? Aquelas peças intemporais, com cores neutras, muito branco, preto e beje, muita cueca asa delta, sem rendas nem folhos. Esse espólio guardei com a vida e fui usando até à sua morte (claramente). Paz à sua alma.

Acontece que depois, uma pessoa começa a ter outros interesses, quer sentir-se a Sofia Vergara nos entrefolhos do ser, quer sensualizar, quer saber que caso haja um assalto no Pingo Doce mais próximo e os assaltantes pedirem para todas as mulheres se despirem, vocês sabem que fazem boa figura e serão poupadas da decapitação (eu pensava nisto muitas vezes) e é nesta altura que começamos que nem umas loucas a comprar “outro tipo de roupa interior”. 

Passamos do básico para o deboche!

Já não queremos só preto e branco. Já arriscamos um rosa e um vermelho. Esqueçam o bonito e seguro algodão. Dêem-nos cetim. Só vemos rendas à frente. E achamos que a única forma de cueca que existe é em fio. 

Braço no ar! Aconteceu comigo! 
Apostei todos os meus cavalinhos na lingerie mais assanhada e… posso dizer-vos que não me arrependi. N.A.D.A (emoji envergonhado).

Contudo, os anos foram passando, as exigências do dia-a-dia foram aumentando, o ritmo tornou-se mais frenético, as idas ao ginásio intensificaram-se (que a idade não perdoa) e… casei, porra! Just that!

As rendas quiserem descansar. O dérriérre começou a pedir mais decoro e tecido e as frequentes idas ao ginásio já não suportavam muitas ousadias na hora de correr não-sei-quantos-km na passadeira ou agachar com pesos para tudo não descambar. Não dava! E os homens nunca vão perceber isto…

Tive que me render ao básico, novamente, e já sabem “once you go basic, you never go back”, não é assim o ditado, mas vocês perceberam…

Apesar de ter sido apelidada de “cueca de velhinha” muitas vezes pelo Senhor-Lá-de-Casa i don’t fucking care! Algodão, amigo, que és tão bom para mim, volta! Estás perdoado!

Todavia, foram estas peças que se eclipsaram da minha gaveta, sem aviso nem despedidas. De um momento para o outro, as minhas cuecas-amigas-fiéis-confortáveis foram-se. Estou literalmente cuecless (ganda trocadilho páh!)!!! Sendo que para este genocídio muito tem contribuído a minha cadela-lésbica que nas nossas costas ataca o cesto da roupa e escolhe as minhas roupas interiores para destilar ódio ou outras sensações… Não vamos esmiuçar esta questão ok!??!

Vime-me sem as minhas cuecas, com uma sensação de urgência gigantesca para repor o stock asap e enquanto formulo uma táctica na agenda para dar um salto ao shopping mais próximo, olho para o espelho para espalhar o restante creme no focinho, para dar de caras com um bigodão de fazer inveja ao meu homem. 

Sabem quando nos assustamos com a nossa própria existência?!?! Foi isso que aconteceu…

COMO ASSIM!?!? Segunda indignação do dia. Eu andava com este buço e ninguém me dizia nada?! Grandes amigas, pah! Relembro que eu sou uma miúpe em negação e ou o espelho está mesmo mesmo mesmo muito próximo (nunca queremos isso na nossa vida) ou alguém me faz esse reparo, caso contrário eu já não consigo ver os meus próprio pelos faciais. É muito triste envelhecer, migas. 

Foi neste momento que exclamei: “GIRL, WHAT THE HELL IS WRONG WITH YOU?”

Da série: "Quando acordas com buço e sem cuecas"... O que é que se passa com a minha vida?!

Decidi reclamar o controlo da minha vida. Tratei logo de marcar tudo. Fiz disto a prioridade para a minha sanidade e decencia moral. 

Resultado deste choque matinal: já me endividei em cuecas e já voltei a ser uma mulher e não uma descendente inicial do homo sapiens sapiens capilarea.

I’m back! 
Porém, senti que tinha que partilhar isto com vocês…
Obrigada. Bom dia.

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Marta Neves
Marta Neves

Encontrei no universo feminino a minha missão: partilhar, aprender e ajudar. Nasceu o Marta Neves, para me sentir mais eu, mais em sintonia com a minha essência. Despida de formalismos ou preconceitos, serei EU. A mulher. Apaixonada de coração pela vida e pelos outros.

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