Dois anos. Uma ideia sobre casamento. E um ensaio sobre gratidão

Dois anos. Uma ideia sobre casamento. E um ensaio sobre gratidão

Dois anos. Uma ideia sobre casamento. E um ensaio sobre gratidão

Escrevo-vos de um sítio maravilhoso, que tem sido o palco perfeito para assinalar uma data tão importante para nós, que nunca a deixamos de celebrar. O Sublime Comporta foi uma descoberta recente naquela que sempre foi uma das minhas casas de coração. Tão harmonioso. Tão acolhedor. Tão integrado com a natureza que o envolve. Sem a imponência de um hotel maior, esta casa acolhe como um lar. É pequenino, mas serve as grandezas sublimes de todos os seus hóspedes, ou não fosse ele considerado um dos mais recentes tesouros desta zona da badalada Península de Tróia.

Foi aqui que uma nossa “fada-madrinha” decidiu que iamos terminar as nossas férias grandes. Foi aqui que aconteceu a NOSSA celebração. DOIS ANOS. Vou repetir, DOIS ANOS passaram desde do dia 31 de Agosto de 2013, uma capicua já escrita há muito, concretizada nessa hora em que nos tornámos um do outro para sempre, no último dia do nosso mês, o 8º onde tudo na nossa vida acontece, 3 anos depois de nos termos entregue um ao outro. Coincidências? Não acredito nisso nem por um segundo.

Após a individualidade do número 1, a união do número 2, o número 3 representa a interacção, a expressão, a comunicação, a criação. É a frutificação, a trindade, a multiplicidade.

No campo da espiritualidade, o número três traduz o poder da unidade entre a mente, corpo e o espírito.
“Três é a conta que Deus fez” e quem somos nós para contestar. É o número da Santíssima Trindade, que nos abençoou neste dia na expressão total de Deus que é Pai, Filho e Espirito Santo. Da harmonia e o equilíbrio dos contrários, rompendo com a dualidade e o antagonismo, apontando para uma nova possibilidade de equilíbrio. 
Dizem os entendidos nestas matérias mais exotéricas que 3 é Gamma para os gregos e é o número da sorte para os nascidos sob o signo de Virgem, que sou EU!
Ou, segundo as palavras de Ramaseum de Tebas “Tudo está contido e se conserva no Um, tudo se modifica e se transforma por três: a Mônada criou a Díade, a Díade produziu a Tríade, e a Tríade brilha no Universo inteiro” e nós brilhamos junto com ela. Se foi divino, humano ou profano só Santo António é que sabe. 

É nesta benção humana e divida, que os nossos astros se alinharam neste dia único, num sábado de calor, perto do mar. Lembro-me como se fosse hoje. Não tive as habituais amnésias casamenteiras. Lembro-me de tudo. Das palavras, dos movimentos, das afirmações, das promessas, dos discursos, das danças e das loucuras. Foi o NOSSO DIA. Foi o nosso casamento.

Hoje, passados dois anos não sinto que tenha a propriedade necessária para fazer da nossa existência uma bandeira do sacramento. A cada dia que passa tenho uma certeza maior: estar casado, junto, enamorado, isto é, partilhar a nossa existência com outro ser humano, requer uma tríade basilar – amor, amizade e respeito. Não há nada mais que possa transpor este tripé de afectos. Mas é preciso muito foco, determinação e persistência. Nós sabemos que as coisas não são cor-de-rosa. Ppppfffff… Não mesmo. E quase queremos pedir satisfações a todos os romancistas universais, realizadores consagrados ou argumentistas de telenovela, que nos pintaram um amor sempre tão perfeito de imperfeição, que radica na irrealidade.

Vou já avisar, as relações não são perfeitas, dão trabalho para caraças, desgastam, magoam, mas quando dão certo não imaginamos outra forma de viver, senão com aquela pessoa, ao nosso lado, para o resto da vida. Eu sei que esta coisa do “para sempre” dá comichão, faz alguma confusão e há quem se coce dela até fazer ferida, mas CALMA! Não se assustem, porque o para sempre não é um designio exterior, um cajado que impõe e direciona a vontade. Não. Somos nós. O “Para Sempre” depende de nós todos os dias. Por isso é que gosto de sentir esta responsabilização pelo meu “Sempre”. Ela é o que nós queremos que ela seja, o que trabalhamos para que ela possa ser. O “Para Sempre” está em nós. Sempre.

É uma frase comum dizer-se que as “relações têm que ser regadas como uma planta”, e apesar do lugar comum não vejo outra analogia capaz de descrever a fórmula perfeita para continuarmos juntos nesta aventura. Se não depositarmos tanta energia e dedicação na renovação diária da nossa relação, damos os nossos como garantidos e aquilo que nos une esvai-se. Este é o desafio! Alimentar na rotina, no dia-a-dia, entre reuniões, más notícias, um máquina de lavar, um chão para aspirar, uma cadela para passear, frustrações e desencantos, aquilo que ainda continua a fazer sentido para nós. É ali no batente diário que se testam as relações, os nossos limites e a nossa aceitação do outro. E esta é outra palavra a reter – ACEITAÇÃO! Não vamos ser capazes de ser felizes se não aceitarmos o outro como ele é. Vou repetir: aceitar o outro como ele é e não à nossa medida.

Posso dizer-vos, do alto dos meus defeitos, que esta é a minha grande luta. Aceitar o outro e não querer que ele seja como nós gostaríamos que ele fosse. E esta máxima vale para tudo, desde a forma como ele se relaciona com os outros, à forma como ele encara o futuro, como ele deixa as roupas espalhadas pela casa, como ele come ou até como ele conduz. Exemplos ridículos, mas que podem figurar na nossa lista de mudanças.
O que descobri nestes dois anos é que se aceitarmos o outro como ele é vamos evitar muitas discussões ou desilusões, porque em vez de esperarmos que ele se comporte como nós queremos, poupamo-nos à frustração do encontro de expectativas, que na realidade eram só nossas.

E, a cima de tudo, a regra de ouro de uma relação – COMUNICAÇÃO. É somente a mais importante de todas. Se comunicarmos bem todos os outros problemas são “peanurs”. Se dissermos ao outro aquilo que queremos, da forma como queremos ou como gostaríamos que acontecesse é meio caminho andado para mais 50 anos de casamento. Minimo. Não podemos estar à espera que o outro saiba por osmose o que estamos a pensar, nem deveremos tentar adivinhar o que o outro quer, só porque achamos que o conhecemos como ninguém. Não! Errado! Primeiro, 99% das vezes que achamos que sabemos o que o outro quer ou vai dizer estamos errados. Certo? Depois, nunca conhecemos verdadeiramente a outra pessoa. Por mais que nos custe admitir, porque a certeza e a previsibilidade são aspectos fundamentais de uma relação, nunca sabemos o que vai dentro da cabecinha dos outros. É um mundo. É um universo e temos que respeitar isso. Seremos convidados a participar nele sempre que o outro nos convide, de resto não se façam de convidados, porque é uma party-for-one.

Mas se ainda gostamos de andar de mão dada na rua, orgulhosos do outro, então vale a pena.
Se procuramos o outro quando há uma novidade, uma má noticia, uma conquista, então vale a pena.
Se não nos imaginamos a dormir ao lado de mais ninguém, então vale a pena.
Se continuamos a partilhar dos mesmos objectivos de vida, então vale a pena.
Se passamos férias um com o outro e não desejamos começar a trabalhar só para não nos aturarmos, então vale a pena.
Se nos continuamos a rir das parvoíces do outro, então vale a pena.
Se o beijo ainda é apertado e apaixonado, então vale a pena.
Se só nos imaginamos velhinhos com essa pessoa, então vale a pena.

E agradecer! Agradecer todos os dias por termos sido abençoados com o outro, com a sua dádiva, com a sua presença, com o seu amor. Agradecer por podermos partilhar a nossa existência com aquela pessoa e com todas as pessoas que ganhámos com ela. Estou a falar de FAMÍLIA. Amar o outro é amar os que o amam. Por isso, é que por último coloquei os que vêm em primeiro – os meus e os teus.

Aquela festa, há dois anos, não teria sido nada se não tivesse sido partilhada com os que mais nos amam, com a nossa família e amigos de coração, porque a vida não é nada sem eles. Não há estória senão existirem testemunhas. E se hoje estamos aqui, neste caminho, nesta viagem, é porque vamos bem acompanhados. No banco da frente vais ao meu lado, mas atrás vai muita gente, que nos aconselha, que nos ajuda, que nos dá carinho, que nos alimenta os sonhos, que nos ajuda a concretizá-los, que chora connosco, que ri junto, que querem o nosso melhor.

No sentido mais literal do termo, não estaríamos AQUI se não fossem eles. VOCÊS. Porque uma vez dois, abençoados no três, seremos sempre muitos mais para SEMPRE.
Que este dia se repita, com todos, por muitos e muitos e muitos anos!
OBRIGADA A TODOS! A FESTA É SEMPRE NOSSA!

PS: Sem dúvida que se se continuarem a rir um do outro a coisa está garantida. À conta da nossa parvoíce já ganhámos créditos para mais uns anitos. Acreditem. “É preciso muito caos interior para parir uma estrela que dança”. Amem.

Dois anos. Uma ideia sobre casamento. E um ensaio sobre gratidão
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Marta Neves
Marta Neves

Encontrei no universo feminino a minha missão: partilhar, aprender e ajudar. Nasceu o Marta Neves, para me sentir mais eu, mais em sintonia com a minha essência. Despida de formalismos ou preconceitos, serei EU. A mulher. Apaixonada de coração pela vida e pelos outros.

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