Haters gonna hate: Os Indignados das redes sociais VS Joana Vasconcelos

Haters gonna hate: Os Indignados das redes sociais VS Joana Vasconcelos
Haters gonna hate: Os Indignados das redes sociais VS Joana Vasconcelos

Eu sei que já vou tarde. Eu sei que a indignação já passou. Eu sei que as criticas já foram feitas e todas as pedras atiradas, mas eu não podia não deixar de dar a minha humilde, porém credenciada (já vão ver) opinião sobre este assunto tão polémico, quanto desnecessário! Just my opinion. Mas vamos por partes,

Quando comecei a ver o meu feed de Facebook inundado com pessoas a partilhar nas suas páginas um vídeo que tinha a imagem da Joana Vasconcelos com meia dúzia de objectos em cima da mesa e uma mala no enquadramento não sabia do que falavam. Coloquei os phones e ouvi. Ouvi até ao final e depois comecei a ler os comentários e fiz logo um “já estava mesmo a ver”.

O meu “já estava mesmo a ver” runs both ways. Tanto de uma perspectiva de conteúdo. Já estava mesmo a ver que aquele vídeo ia acabar assim. E já estava mesmo a ver que as pessoas iam reagir daquela maneira.

Lá vieram os arautos da justiça, da moral e dos bons costumes que estão sempre nas redes sociais, conectados, antenados para disparar a primeira bala da crítica, sempre prontos a lançar a primeira pedra do bem-contra-o-mal:

“Como é que ela foi responder isto?”. “Como ousa falar com esta leveza de uma assunto tão sério?”. “Como diz que vai levar o telemóvel?”. “E não leva cuecas?”. “E as lãs são para quê?”… e por ai vai, com os comentários a serem cada vez mais frequentes, as partilhas a atingirem números impressionantes e cada pessoa, sempre com algo a dizer (de mal) sobre o testemunho da Joana Vasconcelos.

Bom, do outro lado, temos uma produção da RTP que decidiu fazer uma coisa “mais fora” para sensibilizar as pessoas para a questão dos refugiados. Para acompanhar a campanha que se fez nas escolas e em muitos locais, desafiaram algumas personalidades a partilhar o que levariam numa situação de fuga imediata. Até aqui tudo bem! Contactaram as pessoas visadas e tenho a certeza de que ligaram ao agente da Joana que reportou o seguinte à sua cliente:

“Joanita, filha, ligaram-me aqui da RTP, um pessoa muita bacana, para fazeres aqui uma entrevistazita sobre a questão dos refugiados. Acho que é fixe fazeres isto. É uma cena social e tal. Topas?”. E a Joanita, querendo mostrar a sua boa vontade e solidariedade com o caso, foi.

Porém, nós não sabemos que briefing é que ela levou. O que é que a produção disse. Como é que iam ser representados os objectos. Como ia ser editada a peça.  Não sabemos, nem está explicito no vídeo. E é aqui que começa o primeiro problema…

A Joanita foi. Gravou. Divertiu-se. Sentiu que fez uma coisa buésda cool e foi à sua vida tricotar arte. Bom (estalo de língua), nisto a equipa leva a peça para edição e cozinha o preparado final. A minha segunda questão é, quando viram o produto final não acharam nada estranho? Não ficaram com a sensação de que a peça editada daquela forma ia suscitar indignação generalizada? Que havia algo de jocoso? Não! Pois, esse é que é o problema. É que às vezes as pessoas têm boas intenções, mas perde-se o significado para o contexto.

Ah-haaaaaaaa! Palavra fundamental: CONTEXTO!
Assim como está, editado como está, parece que a Joana é uma sem-cérebro, completamente alheada da realidade e que “goza” com a situação dos refugiados. É o chamado “tiro pela culatra”.
Será que deveriam ter lançado o vídeo daquela forma? Não sei… Se calhar tinham que dar mais contexto às pessoas.

O que me leva à outra questão, tão importante quanto a primeira: As pessoas, HOJE, não conseguem ler para além do que está escrito. São demasiado literais. Ou é preto ou é branco. Ou é sim ou é não. Ela disse isto, não pode dizer aquilo. Ou fazes um like ou destróis o comentário. Não! Não, meus amigos, não pode ser assim.

Quem olha para aquele vídeo tem que ser capaz de ver para além do que lá está. Há um contexto, que como já vimos, pode estar melhor ou pior representado, mas há uma componente de criatividade e abstracção.

Achavam mesmo que a Joana ia levar lãs numa situação de fuga? NÃO, claro que não! A não ser que fosse para fazer das agulhas uma arma de arremesso. Pegava nas cuecas e…e…

O que lhe devem ter dito foi para levar objectos simbólicos enquanto profissional e enquanto cidadã portuguesa, para exaltar essa nacionalidade, muitas vezes perdida numa situação de migração. Agora isso está lá? Não está! Podia estar mais explícito? Podia. Mas tenho quase a certeza de que foi este o briefing que lhe deram. Não me parece que ela quisesse passar essa imagem gratuitamente. Just saying…

Mas lá está! As pessoas não esperam. Não analisam. Não reflectem. Não vêem nas entrelinhas. Não desculpam. Nãoooooooooooooo! Ela disse aquilo, ela é mentecapta. Ponto. Bora já lá encavar na pobre coitada.
Não estou a desculpar ninguém, até porque não tenho parte na história, estou só a pegar neste exemplo para extrapolar para o todo. Isto é o que está a acontecer diariamente nas redes sociais.

Há que ver o contexto, há que ter em conta o simbólico e reflectir antes de esbardalharmos nas redes sociais, onde a critica é tão fácil e o apedrejamento social uma prática comum. MENOS. Muito menos. Não carece…

E agora vocês perguntam: “Mas Marta estás aí cheia de latim, cheia de palavreado, e o que é que faz de ti uma sumidade na matéria?”
Pois é meus amigos, posso não ser sumidade na análise e desconstrução social dos mecanismos sociológicos operados na desconstrução do real perpetrado pelos novos media de comunicação, mas sou mestre na arte da fuga! Não sei porque é que a RTP não falou comigo… Magoei…

Eu é que sei o que levava se tivesse que dar de fuga como a tartaruga. Sabem porquê? Porque sou uma sobrevivente do pseudo-tsunami no Algarve de 1999. PUMBAS!

Corria o ano de 1999, era 22 de Agosto, domingo, e estava um calor dos ananases. Como sempre, eu e a minha família, estávamos a passar o belo do mês mais caliente do ano em terras algarvias. Tinha acabado de acordar. Eram perto das 14h (sim, no tempo em que ainda consegui dormir até à uma da tarde. Belos tempos…). A noite anterior tinha sido de farra da grande e estávamos naquele meio termo, meio acordados, meio esfomeados, meio ensonados, meio de pijama.

Nisto, ouvimos os meus tios, que tinham ido para a praia, ofegantes, no terraço da casa a relatar o seguinte: “Opah! vem ai um tsunami. (silêncio) As praias estão a ser todas evacuadas. Está policia por todo o lado e os bombeiros estão a ajudar as pessoas a procurar um sítio abrigado”.

WHAT?!?!?!!?

Eu, a minha irmã e os meus primos saltámos do sofá, incrédulos, tanto com a descrição como com a pouca urgência que todos demonstravam. Parvinhos da nossa inteligência, dirigimo-nos para o topo de uma arriba que ficava a 5 metros da minha casa, onde se via toda a linha de mar da costa.

O que vimos? ISTO!

Haters gonna hate: Os Indignados das redes sociais VS Joana Vasconcelos

Na linha do horizonte, tinha-se formado uma massa escura. Relatos de aviões comerciais e de embarcações falavam de uma onda gigante que se dirigia para a costa. E nós ali, a ver de camarote. Como assim?! Eu olhei para a minha irmã e ela olhou para mim e começámos a falar. Éramos as duas de ciências, sabíamos o fenómeno que envolvia um tsunami, e apesar de estarmos a achar aquilo tudo muito estranho, porque se fosse realmente uma onda gigante bem que podíamos estar à espera que já tínhamos levado com a espuma no focinho, aquilo não demora assim tanto tempo e a linha de costa tem que recuar IMENSO para que esse fenómeno possa acontecer. O que não era o caso…

Contudo, todavia, portanto, quem éramos nós para estar a contestar algo que estava a convencer a policia marítima, a polícia, os bombeiros, todos os helicópteros e embarcações que foram contactadas para o local. Como é óbvio o pânico instalou-se e eu como sou arraçada de G.I Jane, resquícios de uma infância nos anos 80 a ver filmes de acção e porrada com os meus primos, achei que aquilo ia ser o fim do mundo em cuecas e que tinha que estar preparada. O que e que eu fiz? Quais foram as minhas prioridades? Não há cá lãs, telemóveis, mochilas, ou o raio que os parta!

Fui a correr vestir o meu soutien, que isto de estar “on the loose” ia-me complicar na fuga ao tsunami, nunca se ouviu ninguém a correr os 100 metros barreiras com as mamas ao léu. Foi logo o que eu pensei! The girls need suport e fui calçar uns ténis, assim como assim, a coisa ia descambar e tinha que correr, possivelmente, até ao sopé da Serra de Monchique. Foi logo o que imaginei.

Abri a porta ao meu gato para que ele pudesse fugir e salvar a sua vida e fiquei à espera…

Esperei…
Esperei…
Esperei…

E o raio da onda não vinha.
Foi ai que na televisão começaram a explicar o que se tinha passado e a desconstruir o pânico instalado:

Apenas uma miragem, uma ilusão óptica designada por “Fata Morgana” (sim, como a música do Roberto Leal), causada por uma inversão térmica, ou seja, “uma camada atmosférica de espessura de uma centena de metros que ocorre no topo da camada limite planetária (CLP), a uma altitude da ordem de 1 km sobre áreas continentais, e onde o gradiente térmico decresce com a altura, numa razão inferior a 10 graus por km”, uma “lente natural” que causa a distorção de objectos ou lugares distantes. Pow!

Por isso, se quiserem saber o que uma pessoa leva em aflição é aquilo que para essa pessoa é essencial. Just that! Deixem lá as lãs, os telemóveis ou os soutiens, que isto da liberdade é muito bonito e eu gosto, a não ser em relação às minhas maminhas, nisso já sou uma hater-de-mamas-ao-léu. 

PS: Agora vocês estão a pensar “Marta, e o gato!? Que lhe aconteceu?”. Esse?! Apesar de ter aberto a porta, esteve-se a borrifar para tudo e todos e não arredou pé da sua sesta. Não mexeu nem uma unha. Possivelmente, foi o ser mais inteligente de todo o processo…

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Marta Neves
Marta Neves

Encontrei no universo feminino a minha missão: partilhar, aprender e ajudar. Nasceu o Marta Neves, para me sentir mais eu, mais em sintonia com a minha essência. Despida de formalismos ou preconceitos, serei EU. A mulher. Apaixonada de coração pela vida e pelos outros.

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2 Comments

  1. Abril, 2016 / 1:21 pm

    Muito bom ahahahah

    Realmente o gato deve ter sido o mais inteligente até porque dizem que os animais são os primeiros a fugir em caso de desastre ahahahah

    Concordo plenamente consigo mas ao contrário que si eu não expressei a minha opinião pois já sabia que ia ser linchada em praça pública. À muito que deixei de dar a minha opinião no Facebook por causa disso mesmo, ou é preto no branco ou não é, ou temos a mesma opinião que elas ou lincham-nos…

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