Idiossincrasias paradigmáticas do ser: Tenho pavor de andar de avião

Idiossincrasias paradigmáticas do ser: Tenho pavor de andar de avião
Idiossincrasias paradigmáticas do ser: Tenho pavor de andar de avião

UÉPÁAAAA!!!

Amigos, dadas as circunstâncias e as notícias internacionais que nos chegam a toda o minuto sobre a queda do avião alemão nos Alpes que vitimou todos os passageiros (até à data deste post não há indicação contrária) senti que era a altura certa para vos confidenciar mais uma particularidade do meu maravilhoso ser. Eu, Marta, tenho PÂNICO de andar de avião. 
Pronto já disse. Não me arrependo. Não tenho vergonha. É mesmo assim. 
Quando ouvi a noticia fiquei logo a tremer. Quando mete aviões não há outra forma do meu corpo reagir. As autoridades francesas confirmaram o que já era dado como certo: os 144 passageiros e seis tripulantes (e não quatro como fora referido nas primeiras informações) que seguiam a bordo do avião morreram. O.M.G!!!!!!! Que cenário, senhores. 
Os destroços do Airbus A320 da low cost Germanwings, que pertence à Lufthansa, foram encontrados perto de Barcelonnette, numa zona remota a 2 mil metros de altitude a sul dos Alpes franceses, quando o aparelho fazia a ligação entre Barcelona e Düsseldorf. 
E é verdade, cada vez que um avião cai ou desaparece não se fala de outra coisa. Muitos juram não voltar a embarcar. Outros gozam… e muito. 
Diz o Observador que: “morrer num desastre de avião é tão improvável como ganhar o euromilhões”. Olhem amigos eu não sei que estatística é essa mas… TUDOOOOOO BEM! Eu prefiro ganhar o euromilhões, sff.
Mas perguntam vocês: “porque raio tens tu, Marta que és uma pessoa moderna, do seu tempo, para a frentex, medo de andar de avião”?
Eu respondo: “Amigos, se eu soubesse responder a essa pergunta EU é que ganhava o euromilhões!!!”. Capiche?!
É uma coisa completamente inconsciente. É um medo visceral que se apodera da minha pessoa e faz-me passar a maior das vergonhas à face da terra. Pareço o Ronaldo antes de disputar a Champions. Só entro com o pé direito dentro do avião. Não posso ficar sentada à janela. Prefiro o corredor. Tenho que levar revistas e livros. Não consigo dormir lá dentro por nada deste mundo. Dou sempre a mão na descolagem à pessoa que está ao meu lado (quem quer que ela seja). Rezo antes de descolar. Rezo se há turbulência. Rezo se está mau tempo. Rezo para aterrar. Ou seja, passo o tempo a rezar. Raramente vou à casa-de-banho (porque acho que com o meu peso vou colocar o avião a abanar mais) e estou sempre a observar o pessoal de cabine. Vejo a cara das hospedeiras, os movimentos dos comissários de bordo. Monitorizo os barulhos do avião e tremo sempre que uma luz ou som apitam no avião. 
Por esta altura vocês já devem ter percebido que eu sou muito divertida para partilhar avião. NOT! 
Mas é claustrofobia? Não!
Mas é medo da morte? Não!
Mas é medo das alturas? Não!
Mas enjoas? Não!
É só medo que aquela treta caia, porque é uma máquina, repito, uma máquina que não me dá confiança, não conheço de lado nenhum a pessoa que está a conduzi-la, não sou eu a controlá-la, e no limite…medo que eu MORRA. Sendo que tenho para mim que o percurso do “sei que isto vai dar para o torto” e o “we are gonna die” (dito a gritar) não deve ser nada agradável.
Nunca tive nenhuma experiência de “saltar as máscaras do avião” e, posterior, ataque cardíaco, mas o medo estava mais ou menos controlado até uma certa viagem de regresso de Nova Iorque em que vi a minha vida a andar para trás. 
Dizem os especialistas que os poços de ar são o mais complicado de gerir e que as diferenças de temperatura calor-frio são do piorzinho, pois bem, foi um mix de “ambos os dois” que sucedeu nessa fatídica viagem que me marcou para sempre. 
Na aproximação ao continente, já depois de passarmos as nossas ilhas, o avião esbardalhou geral. Muita turbulência, desligaram as luzes, as hospedeiras desapareceram e ficamos sentados, com os cintos trancados, a saltitar de uma lado para o outro, na escuridão e no pânico da incerteza. De repente surgiu aquela sensação de “poço de ar” em que parecia que o comandante tinha tido uma cólica, largou os comandos do avião e estávamos em free-falling. Foi a sensação mais horrível da minha vida. Um andar de montanha russa, mas em mau! As pessoas todas a gritar. O casal que estava sentado à esquerda vomitou-se todo, o que estava à direita era de terras de Tio Sam e a rapariga descontrolou-se completamente, estava em pânico, e o homem em vez de ajudar só lhe dizia “Shiuuuuuuuu! Shut the fuck up!”. Já não sabia se devia pedir pela minha vida ou dar uma bofa na cara daquele cavalheiro. 
Aqueles segundos pareceram eternidades. As pessoas gritavam, rezavam em alto, pediam ajuda aos deuses do céu e eu fiquei branca, muda e queda. Cravei as minhas unhas no acento e só me lembro de pensar: “Isto não me está a acontecer. Eu não vou morrer aqui. Eu não vou acabar assim”. Foi a minha tentativa de “profecia auto-concretizável”. O que é certo é que no meio daquele fandango aéreo começamos a ver a pista e eu comecei a rezar. Tocar com as rodas no chão foi a melhor coisa da minha vida.
Sim, bati palmas como os parolos, porque porra vi jeitos de me ficar por ali. Lembro-me que quando fomos buscar as malas as minhas pernas ainda tremiam de medo… E ainda tremem, de todas as vezes que me meto num avião. 
Ainda não experimentei tomar drunfos para uma viagem, porque acho parvo não conseguir controlar este medo estúpido, mas que há a fazer? Qué-los há-los-ha!
O meu pai, para me acalmar, diz-me sempre antes de viajar: “filha, o nosso destino está traçado quando for a tua hora, acontece”. Não resulta! Este tipo de comentários comigo não resulta. E para os queridinhos que dizem: “mas se aquilo cair, também não vais sentir nada. Desmaias antes de bater no chão”. Para esses eu digo que depois da minha experiência aterradora TU sabes que vais finar e isso não é agradável, bebés. 
Eu até gostava de fazer aquele curso da TAP para andar de avião, mas tenho medo. 
Acho que sou um caso perdido…
Idiossincrasias paradigmáticas do ser: Tenho pavor de andar de avião
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Marta Neves
Marta Neves

Encontrei no universo feminino a minha missão: partilhar, aprender e ajudar. Nasceu o Marta Neves, para me sentir mais eu, mais em sintonia com a minha essência. Despida de formalismos ou preconceitos, serei EU. A mulher. Apaixonada de coração pela vida e pelos outros.

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