Crónica “New in Town”: Maratona de Lisboa com 42k de Solidariedade, uma faixa e muito amor

Crónica “New in Town”: Maratona de Lisboa com 42k de Solidariedade, uma faixa e muito amor
Crónica "New in Town": Maratona de Lisboa com 42k de Solidariedade, uma faixa e muito amor

Quem me seguiu via snapchat ontem pôde acompanhar, em primeira mão, o que andámos a fazer. Não pude aqui contar, nem preparar nada antes, porque tudo estava envolvo em mega secretismo e não podia vacilar na hora de prepararmos algo inesquecível.

Como sabem a Ana, mais conhecida por A Pipoca Mais Doce, embarcou no inicio deste ano numa aventura absolutamente extraordinária de angariação de fundos para doar à ala pediátrica do IPO de Lisboa. Comprometeu-se não só em angariar, pelo menos, mil euros por cada km da maratona, como a correr a própria da maratona de Lisboa. Se achávamos que o primeiro desafio era o suficiente para nos deixar umas boas noites sem dormir e com uma enorme responsabilidade aos ombros, o segundo era ainda mais grandioso em superação. Desafiar os outros a contribuir enquanto se desafiava a si própria para cortar a meta da maratona de Lisboa. You go girl!!!

Fomos acompanhando todo o seu progresso nos treinos, todas as corridas que iam fazendo e todos os recordes que ia quebrando. Sempre a torcer para que angariasse a quantia a que se tinha proposto e ainda que conseguisse preparar-se o suficiente para fazer a sua primeira maratona da vida.

A uma semana da grande corrida a Ana fez um apelo aos seus amigos, colegas, leitores e fãs – que a fossem apoiar na corrida, que estivessem presentes ao longo do caminho com cartazes, com palavras de incentivo, com energia positiva para lhe passar. O repto tinha sido lançado, mas mal sabia ela que a verdadeira conspiração solidária estava a acontecer na retaguarda.

O Ricardo, O Arrumadinho, maridão-atento, mal saiu o post com o pedido da Ana arregaçou mangas e convocou um conjunto de pessoas, numa página privada no Facebook, para, sem ela saber, nos distribuirmos por cada km do percurso, de forma a que ela tivesse sempre alguém a gritar por ela. Já viram isto?! Querem melhor marido que este? Não há! Homens deste país ponham os olhos nisto. Não é para quem quer, é para quem pode.

Claro que todos dissemos que sim! Claro que todos nos mobilizámos. A mim calhou-me o km 24, mesmo em frente à Torre de Belém. Mas depois de ter dito que sim, senti que podia fazer mais. Já tinha contribuído de forma monetária para a causa, já ia apoiar ao percurso, mas tudo parecia pouco nesta recta final de grande ajuda e solidariedade.
Foi ai que me lembrei que podia ser um presente muito simbólico para a Ana ter uma faixa de agradecimento, feita pelos meninos do IPO de Lisboa para que quando cortasse a meta, tivesse ela este retorno também.

Só que estávamos a falar de três dias antes da maratona… Como é que eu ia fazer isto? Lá mexi uns cordelinhos, consegui um contacto e liguei. Do outro lado atendeu-me uma voz muito doce e simpática – A Dra. Alexandra ouviu-me com toda a atenção, no silencio de quem já sabia a resposta e no final disse-me “Claro que sim! Vamos a isso!”. Quase que chorei ao telefone. Foi de uma generosidade, de uma prontidão e disponibilidade absolutas. Combinámos que os meninos que estavam internados iam participar com uma actividade em que se pudessem divertir e ao mesmo tempo ajudar a fazer esta faixa de “obrigado” à Ana. Assim foi. Sexta-feira à tarde fui levantá-la ao IPO e foi a coisa mais fofa de sempre. Um beijo muito, muito, muito grande para todos os meninos e meninas que nos ajudaram a concretizar esta faixa, às educadoras de infância e a todos os funcionários do IPO. Foram simplesmente fantásticos.

Ontem, na maratona, lá estávamos nós todos, a postos, para cumprir o desígnio de fiéis “apoiadores” da causa maior e passar todas as boas energias à Ana. Tal como o Ricardo tinha previsto eles passaram exactamente pelo meu km à hora marcada. Convoquei uma família inteira de pessoas que estava ao meu lado na estrada para gritarem desmesuradamente quando eles passassem.  Assim que os avistámos começámos a gritar e a apoiar. Estavam precisamente a meio da viagem. Ufa! Fiquei emocionada e cansada só de olhar. Só de perceber o caminho que ainda faltava percorrer. Mas ela/os dois estavam contentes, felizes, de sorriso no rosto, super animados e isso tranquilizou-me. Quando os vi tive a certeza de que iam cumprir a missão.

Eram 11h e ainda faltavam mais de duas horas para irmos à meta recebe-los com a faixa das crianças. DUAS HORAS! Como é que ainda falta correr DAS HORAS! Rezei muito para que conseguissem. Para que o tempo passasse rápido. Para que chegassem bem ao destino.

13h. Parque das Nações como nunca tinha visto. Milhares de pessoas. Atletas, apaixonados pela corrida, apoiantes, famílias inteiras à espera dos seus heróis. Toda a esperança de quem termina ali uma viagem suada, sofrida. Já de faixa erguida, eu e a Viviane tornámo-nos visíveis para quem se queria juntar. Chegaram mais amigos da Ana e do Ricardo e assim formámos o grupo de recepção à heroína.

CORTARAM A META!?! Já cortaram a meta! Confirmámos todos. O nervosismo aumentou.
Quando eles chegaram ao pé de nós foi a festa, os abraços, as partilhas, as perguntas, as histórias, as peripécias e a revelação da faixa de apoio.

Fiquei (ficámos) de coração cheio. Fazer parte daquele momento foi, sem dúvida, um privilégio e por isso lhes estou grata. No final das contas, no final dos quilómetros, no final da maratona a Ana conseguiu angariar 72 mil euros. Vou repetir. 72 MIL EUROS! Mais 30 mil euros do que a sua proposta inicial. Estou sem palavras. Este feito é extraordinário.

Se a minha/nossa faixa foi apenas um miminho para a Ana, um “obrigado” por tudo aquilo que fez, a sua missão solidária ultrapassou tudo aquilo que poderíamos esperar. Ela superou-se, tocando outras pessoas.

E é nestes momentos que percebemos que há certas coisas que só o amor consegue ultrapassar. A Ana pelo amor à causa desafiou-se e inspirou milhares de pessoas neste pais, com a sua força e determinação. O Ricardo pelo amor à Ana conseguiu reunir um grupo de apoio e fez, sempre ao seu lado, todos os km da maratona partilhando com ela as angustias, as dúvidas e os medos. Nós pelo amor à sua causa, ao que nos move, ao que nos motiva, ao que nos incentiva a sairmos da nossa bolha e a darmo-nos aos outros.

O “Obrigada” de ontem é apenas simbólico, mas a obra da Ana vai ser para sempre.
RUN, PIPOCA, RUN!

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Marta Neves
Marta Neves

Encontrei no universo feminino a minha missão: partilhar, aprender e ajudar. Nasceu o Marta Neves, para me sentir mais eu, mais em sintonia com a minha essência. Despida de formalismos ou preconceitos, serei EU. A mulher. Apaixonada de coração pela vida e pelos outros.

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