Crónica “New in Town”: É “Absurdo” comer Sushi? Só mesmo em Setúbal

Crónica “New in Town”: É “Absurdo” comer Sushi? Só mesmo em Setúbal
Crónica "New in Town": É "Absurdo" comer Sushi? Só mesmo em Setúbal

Calma! Calma! Calma! Não se exaltem! É muito bom comer sushi em Setúbal, mais que não seja porque é a minha cidadezinha do coração, mas eu já vou explicar este título. Continuem a ler, sff.

Eu sei que vou perder leitores, popularidade, o vosso amor e a vossa atenção, mas… eu tenho que ser honesta com vocês. Estão preparados? EU ODEIO SUSHI. Pronto, já disse. ainda estão ai? Bem, se calhar a palavra odiar é muito forte. Vou reformular: eu, Marta, não gosto de sushi. Em abono da verdade, também não é isto. Eu nunca tive uma boa experiência com o sushi. Vá, é mais por aqui. Tal como um bad-date. Só estive uma vez a jantar com esse cavalheiro Sushi e a coisa não correu lá muito bem. A conversa entre nós não fluiu bem, havia paus entre nós, percebemos que tínhamos gostos diferentes e ficámos “lost in translation”. Até há uma semana…

Só um preâmbulo antes de continuar:

Porque é que não gostas de Sushi?! Boa pergunta!

Há uns anos atrás, antes de enveredar por estas lides do jornalismo, estava a fazer assessoria de imprensa para todos os espectáculos que uma produtora tinha em Portugal. Foi uma época espectacular. Já imaginaram? Eu, que adoro tudo o que diga respeito ao entretenimento, espectáculo, dança, música, a participar activamente em grandes produções nacionais e internacionais, com as maiores companhias do mundo… foi de sonho.

E um dos espectáculos que estávamos a produzir era de flamenco, com o maior bailarino espanhol da altura, que vinha acompanhado da orquestra nacional. Era uma coisa com salero, com pompa e circunstância, com grandiosidade. Chegou o dia da antestreia, no Auditório dos Oceanos no Casino Lisboa, lá estava eu a receber a imprensa, a organizar tudo o que dizia respeito à assessoria do show e foi um sucesso! Yaaayyyyyyyyyyyy! Como é muito comum nestas situações, o artista convida para jantar a sua equipa e na nossa também e, por isso lá fomos todos comemorar.
EU ODEIO SUSHI! Pronto, já disse. Ainda estão aí?

Confesso que estava tão feliz, tão realizada, tão a celebrar com os meus colegas, que nem percebi onde é que estávamos a ir. Quando dei por mim estava sentada numa mesa redonda, com o belo do bailarino-prodígio ao meu lado, a embaixadora espanhola à minha frente, e toda uma comitiva formal que também tinha sido convidada para o repasto vindo do oriente.

O.M.G!!!!! EU ESTOU NUM RESTAURANTE DE SUSHI, gritei internamente. Pensei simular uma má-disposição, uma emergência com o meu gato inexistente em casa, uma urgência laboral, mas em vez disso decidi ficar. Que parva!

Por cortesia, o anfitrião da mesa escolheu o que veio para a mesa e, segundo o que percebi, ele era uma expert na matéria. Já comia sushi há 300 anos e conhecia as peças de trás para a frente.

Começaram as chegar as travessas à mesa e a minha cara deve ter dito tudo. Eu devia estar em pânico, com os olhos esbugalhados, a sair de órbita, quase a chorar de pânico. O artista deve ter-se apercebido e disse-me: “Marta, ti gusta suhi?”. E eu, claro, menti com todos os dentes que tinha e não tinha: “Si, si… claro!”. Perompompero comigo!!!!!

Mas mais uma vez, a minha boca disse sim, mas o meu corpo disse não. Ao que ele olha para mim de forma intrigada e volta a questionar: “Marta, não ti gusta sushi?”, proferiu com uma ar muito curioso, do género “quem é que não gosta de sushi?”. Eu, eu, eu, a neanthertal aqui ao lado.

Decidi abrir o jogo e referi a medo: “hum… nunca provei…”. O que é que eu fui dizer. Todo um novo mundo se abriu. Ele adorou o facto de eu nunca ter experimentado e fui basicamente a cobaia da noite.

Não me perguntem o que comi, o que era, como se chamava, que a minha mente decidiu apagar da memória,mas era hardcore (i think). Ele como gostava imenso daquilo deve ter pedido assim os do nível mais avançado (olhem para mim a tentar falar de uma coisa que não percebo). Odiei tudo. Engoli tudo como quem toma um remédio terrível para a dor de garganta e precisa mesmo de o ingerir para sobreviver. Só que para mim também era uma questão de vida ou de morte – neste caso laboral e social.

Cada peça que ele me dava eu queria vomitar. É a mesma sensação que tenho com o marisco, parece que estou a engolir um pirolito de mar (sim, eu também não gosto de marisco… sou uma seca, basicamente!).

Tinha que beber grandes goles de vinho para anular o sabor e às tantas já não sabia o que era pior – assumir que não gostava de sushi ou sair de lá bastante embriagada. Simulei um “Já estou muito cheia, obrigada. Fico por aqui” e vinguei-me na sobremesa. Ufa!
Engoli tudo como quem toma um remédio terrível para a dor de garganta e precisa mesmo de o ingerir para sobreviver.

Decidi que depois daquele episódio as minhas patinhas nunca mais iam botar charme num restaurante de sushi. Ia assumi-lo com toda a verdade de um peixe cru – Eu, Marta, não gosto de Sushi.

Até que as minhas BFFs setubalenses me desafiaram a experimentar o Sushi-Chique que está super na moda na nossa cidade do coração. Eu própria já tinha visto no Instagram de algumas bloggers e celebridades da nossa televisão a botarem pauzinhos no estaminé setubalense. Pensei, “como assim não estar a fazer figura no novo spot da moda”? É já!!! Ah e tal, mas é sushi… não quis saber, fui!

Chegámos ao Sushima e, para meu espanto, ele fica nada mais nada menos do que no antigo espaço do ABSURDO. Para quem é de Setúbal e arredores ou frequentava a noite setubalense nos idos tempos do Seagull, aquilo que estou a dizer é por demais importante. Morri em revivalismo. Nos meus tempos de mocidade (ui, pareço o meu querido pai a falar) a night acabava sempre no Absurdo, que não poderia ter melhor nome. Era mesmo ABSURDO estar tanta gente enfiada em tão poucos metros quadrados. Parecíamos as sardinhas nas latas das fábricas de conserva. Era parvo? Era! Mas era o melhor da noite. Estava lá as pessoas que interessavam, as caras que queríamos ver, as músicas que queríamos ouvir, o chão que suportava os bad-dance-moves que performavamos estoicamente às 3h da manhã. Belos tempos…

Flash News: Pelo que soube, a disco-night mudou-se para outro chão da avenida, desta feita com vista para o rio (mai’fine!) e o antigo espaço transformou-se na meca do sushi da moda. Clap,clap, clap que orgulho, senhores!

Sem medos, nem temores, lá pedi o que tinha que pedir, com a ajuda das minhas amigas que achavam que eu ia acobardar-me e pedir uma picanha, assim pela força dos nervos. Mas nãooooooooooo! Lambada na cara das (ini)amigas! Quero sushi!!! Ah, ganda’maluca! Confesso que fui a medo. Escolhi uma coisa semi-cozinhada, mas ainda assim crua o suficiente para não desvirtuar o desafio, que eu sou pessoa que acredito no poder dos dois pauzinhos, nãos os orientais,mas aqueles que um dia rasparam um num outro e fizeram fogo.

Fiquei muito orgulhosa da minha pessoa. Não me atirei de cabeça, mas dei uma ganda”cacholada no meu preconceito interior. Muitá’orrrgulhosa, miga! (ler com pronuncia setubalense).

Posto isto, só posso dizer, à laia de uma review michelin, que gostei muitooooooo. Surpreendeu-me pela positiva. Recomendo, aconselho, dou contactos e o que quiserem. Não sei se é pela proximidade à lota de Setúbal, mas o peixe estava fresquinho, fresquinho e tudo estava com óptimo aspecto, ao ponto de me apetecer comer tudo. Olhem que isto é o maior dos elogios.

Por isso já sabem, se estão a ir para a praia já têm uma opção diferente ao famoso peixe assado. Passam pelo Sushima, pegam nos pauzinhos e fazem a festa, lançam os foguetes e apanham as canas. À volta, passam no Leo e assim’comá’ssim trazem-me uma sandes de choco frito, só para não perder o gosto às coisas cozinhadas. Combinado? Sou uma nova mulher!

PS: (em sussurro) Penso que (à lá Paulo Bento), já gosto de sushi… mas contem-me mais coisas. O que é que aconselham aqui em Lisboa?!? Contem-me tudo, não me escondam nada.

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Marta Neves
Marta Neves

Encontrei no universo feminino a minha missão: partilhar, aprender e ajudar. Nasceu o Marta Neves, para me sentir mais eu, mais em sintonia com a minha essência. Despida de formalismos ou preconceitos, serei EU. A mulher. Apaixonada de coração pela vida e pelos outros.

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2 Comments

  1. Junho, 2015 / 4:55 pm

    Fartei-me de rir com o teu post! Ah pá, 'parriga, muito bom!!! Eheheheh… De facto, uma má experiência de sushi pode levar a toda uma vida de penúria social.
    Curiosamente, já tentei ir ao Sushima, mas n'a pas de mesa reservada, nem fator C…logo, tive mesmo de bater com os costados no Leo.
    Mas já que começaste uma vida nova, aqui fica a sugestão: Estado Líquido, em Lisboa, excelente, um dos meus preferidos… e Sushic, em Almada, O meu preferido, aquele que é impossível não gostarmos de sushi! Ambos têm apenas o inconveniente de serem carotes (até já pensei ir eu própria pescar o peixe para ver se aquilo fica com desconto), mas recomendo vivamente. No Sushic, convém reservar com antecedência…mesmo!
    Delicia-te que eu vou fazer o mesmo noutras paragens com Nutella, porque alguém andou a periscopar e a aguçar a minha gula… 🙂

  2. Junho, 2015 / 8:53 pm

    CANDY MJ!!!!!! Miga! Amei! Amei! Amei o feedback! Boas dicas 🙂 Vou experimentar, sem dúvida, o do Sushic. Só vejo reviews e mais reviews desse restaurante. Temos que ir lá! Quem for primeiro partilha aqui. Boa!? Está ON o nosso desafio.
    Obrigada pelo comentário. AMEI periscopar contigo. Sushi é bom, mas NUTELLA é outro mundo…

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