Crónica “New in Town”: “Santo António, arranja-me um marido que me ame o ano inteiro”

Crónica “New in Town”: “Santo António, arranja-me um marido que me ame o ano inteiro”
Crónica "New in Town": “Santo António, arranja-me um marido que me ame o ano inteiro”
A prece não é minha, mas podia ser. Sem saber, o amor de Santo António aconteceu-me numa noite quente de 13 de Junho…
Nota prévia: esta história é verídica e passou-se comigo. É a minha história de amor e a prova de que a magia do Santo casamenteiro não é um mito popular. A magia aconteceu comigo e estou prestes a revelar o grande segredo com vocês. Peguem num bloco e tomem notas, que o amor está nas ruas de Lisboa e o homem certo está ai numa viela da capital engalanada, à vossa espera.

Corria o ano de 2010. Como sempre, eu e as minhas amigas éramos presença assídua nas ruas da capital por alturas dos Santos Populares – a minha festa preferida a seguir aos meus anos, vá. Os Santos têm tudo o que mais gosto: pessoas divertidas, dança em bailarico, pão com chouriço mal amanhado, entremeada a crepitar, copos na mão a entornar e a alegria despreocupada e festivaleira de quem sai à rua para viver a cidade. A.D.O.R.O.

Tínhamos combinado iniciar o roteiro daquela noite na Bica. Sítio incontornável de ponto de encontro e loucura inicial. Por onde quase todos passam. Onde o ar quase se torna irrespirável e a rua impossível de caminhar. Mas se a descer todos os Santos ajudam, os nossos conspiraram para que pudéssemos começar a palmilhar a fatídica e caótica rua da Bica. Pessoas e mais pessoas, de todos os lados. Música a gritar de cada janela impar. Os cheiros da sardinha e da febra misturam-se para nos dar aquele eau de parfum popular. Do best!


A meio da rua, uma das minhas melhores amigas faz-me uma placagem à lá jogadora de rugby enervada e lança-se sobre a minha pessoa alegando “vamos por este lado, já!”. Perguntei-lhe porquê, ao que ela justificou com a certeza de uma amiga sempre pronta: “Estava ali o teu ex. Não queres dar de focinho com ele, pois não? Acho que é melhor irmos por aqui”. E no caminho que ela assaltou, dois passos e meio à frente sou eu que dou de caras com um amigo que já não vi há 300 anos atrás.

“Oláaaaaaa!!!!” Bek, bek, bek. Conversa à solta. Same old story: “Grupo de meninas meets Grupo de meninos” e começamos a colocar as novidades em dia, com o frenetismo que um encontro destes em plena rua da Bica pode tomar. A páginas tantas batemos olhar. Eu e ele. Ele amigo do meu amigo que já não via há séculos. Ele que nunca me tinha visto, só ouvido falar.Confesso que tenho apenas fogachos da sua imagem. Sei que me impressionou pela pose. Era alto, bem parecido, tinha figura e isso ficou-me. Mas, como uma lady (soltem a Celine Dion), tentei dar uma de “não estou nem ai”. Ppppfff… O encontro encurtou-se pelos cotovelos da multidão e pela música que deturpava as palavras. Aquele não era o sitio para um revival. Era o local para um “até já”. Assim foi.

Decididas a continuar o nosso périplo festivaleiro, alguém do grupo sugeriu que fossemos para um bailarico que fica nas traseiras da Igreja de Santa Catarina, na Calçada do Combro (estão a apontar tudo?!?).

Quando estávamos para entrar na arcada que dá acesso ao jardim, percebi que estava uma senhora da paróquia a vender várias imagens do Santo António para recolher fundos para a igreja. As minhas amigas continuaram, mas houve algo que me deteve no momento. Fui ter com ela, perguntei-lhe quanto era cada figura e decidi comprar um Santo António por graça e cortesia. Quando estava a arrecadar as pequenas moedas, a senhora pega na minha mão, olha nos meus olhos e diz: “Menina, quando chegar a casa coloque este Santo António de frente para a porta. O primeiro homem que entrar em sua casa vai ser para casar. O Santo casamenteiro não falha”. Petrifiquei. Não sabia se havia de rir ou se havia de sair dali directa para casa para performar a macumba. Optei por voltar ao bailarico, contar o que se tinha passado às minhas amigas e ser gozada por isso a noite toda.


Não sei se foi pela verdade do seu olhar ou por estar numa de “mal não vai fazer”, mas o que é certo é que quando cheguei a casa fiz o que a feiticeira-amiga me tinha aconselhado – Santo António de fronte para o pórtico do reino.

E lá ficou ele, ali, de frente para a porta à espera, à espreita, de quem me poderia bater à porta, cavaleiro digno de desposar a donzela crente.

E esta é a parte que eu não consigo explicar…

No dia seguinte aos Santos recebo uma mensagem. Era o tal, o figurão que tinha cobiçado na noite anterior. O amigo do meu amigo tinha pedido o meu número ao amigo, que por sua vez lhe deu. Convidou-me para um café ao fim da tarde nessa semana… Eu fui…


E como se estivesse à sua espera, a primeira pessoa a entrar lá em casa depois de estar protegida pelo Santo casamenteiro foi quem? O homem da telepizza!

Nãoooooooooooo!!

Mas pensei nisso várias vezes, confesso! Mesmo não querendo acreditar, acreditava. Ahahahaha!

Não! Foi ele. Ele foi a primeira pessoa a lá entrar e nunca mais saiu.

Não sei se a minha fada-madrinha ainda tem consultório matrimonial à porta da Igreja de Santa Catarina. Não sei se ainda continua a fazer magia com os seus santinhos e a espalhar a esperança nas donzelas solteiras. Só sei que comigo resultou!

Por isso, o meu coolómetro desta semana é que procurem o Santo António por essas ruas da capital. Podem não encontrar um com magia, mas podem dar de fronte com vários pretendentes que vos possam tocar à porta nos próximos dias. E depois… nunca se sabe…

“Santo António, meu querido Santo casamenteiro. Arranjaste-me um marido que me ama o ano inteiro”.

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Marta Neves
Marta Neves

Encontrei no universo feminino a minha missão: partilhar, aprender e ajudar. Nasceu o Marta Neves, para me sentir mais eu, mais em sintonia com a minha essência. Despida de formalismos ou preconceitos, serei EU. A mulher. Apaixonada de coração pela vida e pelos outros.

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1 Comment

  1. Junho, 2015 / 2:06 pm

    C'um caraças… se me contassem na rua eu não acreditava na história

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