O dia em que moda de guardar lugar na praia ia dando molho!

O dia em que moda de guardar lugar na praia ia dando molho!
O dia em que moda de guardar lugar na praia ia dando molho!

Olá, Olá Pessoas de Férias!

Lembram-se de há pouco tempo ter colocado aqui uma fotografia, em tom jocoso, que ilustrava o areal onde estávamos abancados com imensos guarda-sois fechados para marcar lugar? Pois bem, na altura achei só o facto ridículo e, por conseguinte, digno de registo para gozação na posteridade.

Contudo, portanto, todavia, enfim… ontem foi “o dia em que a moda do guardar lugar na praia se tornou um problema”. Fomos à nossa prainha de Soltroia, como sempre vamos, estava um dia de extremo calor, era feriado, e a praia estava ao barrote. Como estávamos com a Concha tentámos ao máximo furar por entre o areal para conseguirmos um sítio que fosse seguro lagar o nosso tanque de ataque. Mas nada!

Eis que avistamos uma clareira sem ninguém. À vontade uns bons metros de comprimento sem vivalma. Ao longe estranhamos, mas deslocámo-nos até lá. À medida que nos íamos aproximando o fenómeno aparentemente inexplicável tomou forma – era uma clareira, wide open, só com guarda-sois fechados, sem dono que estavam plantadas na areia a impedir que “estranhos” se apoderassem de tal porção de terra.

Nós, que somos pessoas de bom senso (e aqui esta expressão não foi utilizada de ânimo leve), decidimos que “aquilo” não era prática aceitável e que NINGUÉM reclama a si pedaço de terra, que é PÚBLICA. Repito… PÚBLICA! Meus amigos, eu sei que a Tróia é um destino que agora está na moda, mas eu que vou lá desde de SEMPRE, não reconheço naquela Península a Corrida Americana Pela Terra de 1889. Caso fosse, eu seria claramente uma india-chamã a lutar pelo seu pedaço de chão.

Instalámo-nos cuidadosamente por entre as estacas (leia-se guarda-sois fechados), montámos o nosso estaminé e refastelámo-nos ao sol. Estivemos lá um bom par de horas até que, por volta das 18h00, chegou o nosso amigável colono europeu, que, em bom português, fez aquilo a que chamo uma “entrada a pés juntos”. Numa voz bem grave e do alto da sua verticalidade exclama: “Têm noção de que esse chapéu tem dono”?.

Primeiro, pairou um silêncio de estupefacção. O meu homem, incrédulo, exclama: “desculpe?”. E foi ai que começou a dança das cadeiras. E homem começou por tentar argumentar que aquele espaço era seu (como assim?) e que estava ali há duas semanas e que sempre deixara o seu guarda-sol na praia a “guardar lugar”, que era uma prática comum entre as mentes iluminadas, finos proprietários de Soltroia, que em comunidade tinham decidido guardar terra na praia, como se fossem donos e senhores do chão que pisamos.

Claro que isto só poderia dar molho à boa moda setubalense. O maridão remeteu-se para algum silencio porque tudo estava a ser tão surreal que ele só conseguia vociferar alguns impropérios quando o homem insistia na sua teoria. Eu estava num misto de riso nervoso, com “vocês está-se a ouvir??”.

O que nos valeu foi o M, que tem uma grande paciência para a estupidez alheia e tentou, pela via da inteligência (a dele, claro!) mostrar ao senhor-colono-armado-aos-cucos que aquilo que ele estava a fazer não tinha justificação possível, muito menos seria defensável por alguém que consegue articular palavras, em frases com sentido.

A título de exemplo, rolaram os seguintes diálogos:

M: Mas você acha que tem razão quando, não estando cá o dia todo, porque nós aqui estivemos, que este lugar é seu?
Colono: Sim, sim. Há muitos anos que venho para aqui e as pessoas sabem que as coisas são assim.
M: Mas tem noção que esta praia é pública que ninguém pode marcar lugares
Colono: Se tem problemas queixe-se às autoridades.
M: quer mesmo entrar por ai? É que o meu problema resolve-se quando eu pegar no seu guarda-sol e  atirar para um canto, porque até então não estava cá ninguém e não tinha dono. Por isso podia tê-lo tirado.
Colono: Experimente fazer isso! Aqui há bom senso.
M: Quer mesmo falar em bom senso quando está a defender que se pode guardar praia quando não lá se está? Acha que isso é cívico? É normal?
Colono: Eu já estou aqui há duas semanas. Eu estava cá!
M: Desculpe, mas ou eu sou cego ou eu não o vi aqui na praia o dia todo.

E, como somos pessoas cívicas, NÓS, pegamos nas nossas toalhinhas e desviámo-nos um pouco para o lado, mas decidimos que pela via do BOM SENSO não deveríamos sair do “nosso” sítio por nada deste mundo.  Só vos posso dizer que a abordagem do distinto homem foi surreal e tãooooo mal-educada. Mas depois são estas pessoas, tão ricas, tão cultas, tão inteligentes, que se batem por estes argumentos sem fundamento, nem lógica. E pior, acham que têm razão. Já dizia o outro “estamos entregues aos bichos”!!!!! Pffffff…

Só vos digo que hoje lá estaremos outra vez!
Com sorte, damos de caras com o excelentíssimo, amarro a Concha ao guarda-sol do homem e num rasgo de sorte, ela faz um dejecto no sítio “dele”.

Mas… quem é que acha que pode marcar sítio numa praia PÚBLICA? Que profundo egoísmo é este que se vive, sem se pensar no outro, nos outros? A olhar sempre para dentro, para o seu próprio umbigo? Estas coisas encanitam-me e dão-me refluxo.  Simplesmente, não fui educada assim…

Ahhhh, se virem algum cenário destes, peço-vos, façam o mesmo. Ocupem os espaços ocupados. Mostrem que a praia, como o ar, é de todos!
Marta ao poder!

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Marta Neves
Marta Neves

Encontrei no universo feminino a minha missão: partilhar, aprender e ajudar. Nasceu o Marta Neves, para me sentir mais eu, mais em sintonia com a minha essência. Despida de formalismos ou preconceitos, serei EU. A mulher. Apaixonada de coração pela vida e pelos outros.

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