O meu homem esbardalhou-se todo

O meu homem esbardalhou-se todo
O meu homem esbardalhou-se todo

Desculpem a minha ausência por aqui, não tenho sido tão interventiva, mas aconteceu um pequenino (grande) acidente que me tem ocupado os dias, as horas e a mente – O MEU HOMEM ESBARDALHOU-SE TODO!!!!!

É verdade!
Estava eu na terça-feira no trabalho quando me ligam, da Box de Crossfit, a dizer que o Senhor-lá-de-Casa tinha tido um “pequenino” acidente… Petrifiquei com o telefone na mão. Mas como? Onde?! Como ficou? Onde está? Para onde vai?

Voz: “Ele está neste momento a ser visto pelo INEM e vai seguir para um hospital”.
Eu: “Mas para onde?!”
Voz: “Ainda não sabemos…” (fiquei ainda mais para morrer). Mas o irmão dele já está avisado e já está a caminho (descansei um bocadinho).

Desliguei com o coração nas mãos e a preocupação a crescer. Estava naquele preciso momento a gravar uma voz-off e NÃO podia sair dali… Era um misto de pânico, desconhecimento com frustração. apetecia-me tudo menos continuar ali. Os meus pensamentos só faziam check-lists várias para cobrir todos os cenários possíveis e imaginários de catástrofes gimnícas.

Despachei tudo o mais rápido e o melhor que sabia. Telefonei o M para saber que direcções ia tomar e se havia novidades. Ele disse-me que já se tinham despachado do Hospital S. Francisco Xavier. Ele já tinha sido visto pela equipa de ortopedia que estava nas urgências (que abençoados!). O raio-x evidenciou uma fractura no pulso que comprometeu o rádio e o cúbito. Imobilizaram o pulso com gesso e CASA com repouso absoluto.

EU: “Qual foi a mão?”
M: “Esquerda…” (GRAÇAS A DEUS!)
EU: “Então encontramo-nos em casa. Estou a voar para lá!”

Parece que tínhamos combinado, porque chegámos à mesma hora. Lá vinha o meu Xuxu em modo abatido, com um moca de analgésicos em cima e com o desânimo no olhar.
Só me conseguiu dizer: “6 meses… eles dizem que só posso voltar a competir daqui a 6 meses”.
Aquela vozinha dele e o olhar partiram-me o coração, a ele o pulso e os objectivos que tinha… F*****

Percebi perfeitamente aquele momento, aquele sentimento, aquela frustração.
Para quem é atleta ou trabalha com o corpinho que Deus lhe deu, este passa a ser a nossa ferramenta de trabalho. Qualquer coisa que comprometa o seu funcionamento, tem um impacto gigantesco na nossa vida. E aquele momento era para absorver todos esses sentimentos.

Mas depois lá chegou a minha veia de enfermeira-positivista e comecei a enumerar todas as coisas boas que tinham acontecido, por oposição a todas as más que poderiam ter ocorrido na mesma situação (eu faço sempre isto para relativizar a dor). E comecei a discorrer fait-divers positivos:

– “Já viste se tivesse sido a mão direita?”;
– “Opah, quem é atleta está sujeito a lesões. É mesmo assim. Só quem não faz é que não sofre. E esta foi a tua primeira grande lesão em 30 anos.”;
– “Ainda bem que temos um carro com mudanças automáticas. Num instantinho já te vais sentir mais autónomo e podes dar as tuas voltinhas”;
– “Pensa que te podia ter acontecido alguma coisa às costas ou às pernas… era mais difícil a recuperação”;
– “Vais continuar a poder escrever no computador e ao telemóvel (ele é destro). Podes trabalhar à vontade, sem constrangimentos”;
– “Daqui a duas semanas já podes começar a trabalhar pernas e core sem restrições e a recuperar a forma física. Pensa nisso!”;
– “Vais manter na mesma a tua rotina de treino. Vais na mesma para a Box treinar qualquer coisa que possas, viver aquele ambiente e ajudar os teus colegas. Isso vai dar-te alento e motivação para não desistir”.

Ao que depois de muito latin-motivacional da minha parte e muito silencio da parte dele, o maneta olhou para mim, com um ar de cachorrinho abandonado e disse:
“Mas não vou conseguir jogar Playstation…”
(MORRI!!!!)
É isto senhores… estas são as grandes questões da vida.

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Marta Neves
Marta Neves

Encontrei no universo feminino a minha missão: partilhar, aprender e ajudar. Nasceu o Marta Neves, para me sentir mais eu, mais em sintonia com a minha essência. Despida de formalismos ou preconceitos, serei EU. A mulher. Apaixonada de coração pela vida e pelos outros.

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