Os emails das Finanças bem que podiam ser em chinês

Os emails das Finanças bem que podiam ser em chinês
Os emails das Finanças bem que podiam ser em chinês

Sempre que recebo um email das Finanças acontece-me duas coisas:

1) Tremo, porque acho que alguma coisa de errado se passou na minha contabilidade pessoal e são as Finanças a dizer-me que tenho uma dívida aproximada de 100 mil euros. Não sei porque acho sempre que é uma divida, nem tão pouco deste valor. Pancadas…

2) Revejo o meu conceito de inteligência pessoal. Pergunto-me se serei assim tão dotada ao nível da contagem de neurónios. Certifico-me de que tive 12 anos de matemática e que era bem boa no assunto. E questiono-me se sei, na verdade, interpretar um texto de origem portuguesa.

Posto isto, sempre que recebo um email com a origem “Autoridade Tributária e Aduaneira”, tremo, abro o dito, que eu sou pessoa bem educada e sinto que tenho que ser simpática para as pessoas (coitadas) que perderam tempo e inteligência a escrever aquele email, leio na diagonal, pesquiso por palavras como “dívida”, “montante”, “penhora”, “está lixada”, “fuja” e caso não as encontre volto a fechar o textinho e sigo a minha vida com a certeza porém de que:

A) Não percebi um CU do que lá estava escrito;

B) Em principio não devo ter feito nenhuma asneira;

C) Continuo a não perceber este “financês” que me fere a vista e a alma.

Mais alguém está comigo? Hello? Anyone?!?!
Sou só eu que sou uma burra a descodificar estas notificações?
É que a sério… Portal das Finanças, amigos, se têm tanto dinheiro para tantaaaasss coisas, por favor, considerem colocar uma ou duas pessoas de Comunicação a dar uma revisão geral nos vossos textos e a descodificar para PORTUGUÊS o que vocês querem REALMENTE dizer. Qualquer coisa como “Finanças para Dummies”.

É que lamento… eu sei que vocês andaram a estudar essa treta para xuxu e que há alguém do departamento jurídico que gosta de lançar aqueles jargões todos de Direito fiscal, mas… EU, a dona Maria e o Sr. Manuel (não poderia ter sido maior o cliché) estamo-nos pouco MARIMBANDO para ISSO!!!
A sério, sejam mais objectivos e sucintos, porque senão estamos sempre a entupir-vos as linhas telefónicas e a gastar as senhas de atendimento com perguntas estúpidas e desnecessárias, muitas vezes por simples falta de comunicação, ou neste caso de des-informação, com justa causa, por incompatibilidades de linguagem.

Percebem o que está aqui?!?!?!?

“(…) Assim, de harmonia com a alínea a) do n.º 2 do artigo 58.º do CIVA, caso tenha atingido no ano de 2014 um volume de negócios superior a € 10 000 ou, reunindo as condições de inclusão no regime dos pequenos retalhistas, tenha obtido um volume de negócios igual ou superior a € 12 500, deve apresentar a declaração de alterações a que se refere o artigo 32.º do CIVA até 31 de janeiro de 2015, ficando enquadrado no regime normal de tributação com a obrigação de liquidar imposto nas operações efetuadas a partir de 1 de fevereiro do mesmo ano, sem prejuízo da opção pelo regime dos pequenos retalhistas, prevista no n.º 1 do artigo 55.º do referido código (…)
Com os melhores cumprimentos.
O Diretor-Geral
António Brigas Afonso

Não Exmo. Sr. António Brigas Afonso! Eu não percebo o que é que você quer! Primeiro ninguém utiliza  apalavra “harmonia” numa situação de total confusão como esta, só assim a dar uma de mundano. E, a não ser que seja o Saramago, não se faz um parágrafo desta ordem de grandeza, que começa em Lisboa e vai até Vila Real, só para gozar ainda mais com a nossa cara e confusão. Deves ter muitos amigos…

Atentamente,
Marta Neves de Sousa, contribuinte indignada.

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Marta Neves
Marta Neves

Encontrei no universo feminino a minha missão: partilhar, aprender e ajudar. Nasceu o Marta Neves, para me sentir mais eu, mais em sintonia com a minha essência. Despida de formalismos ou preconceitos, serei EU. A mulher. Apaixonada de coração pela vida e pelos outros.

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