Sobrevivi ao mini-tornado em Tróia

Sobrevivi ao mini-tornado em Tróia
Sobrevivi ao mini-tornado em Tróia

Vocês nem sabem o que é que se passou ontem…

Aliás, se estiver aqui algum leitor que tenha estado na zona de Tróia ontem, à tarde na praia, sabe do que estou a falar.
Mas, Migas! CALEM-SE!!!
Ontem vivemos o terror e o medo em bikini. FOR REAL!!
Aconteceu o vórtex temporal-meteorológico mais estranho à face da terra. Levantou-se o areal da Tróia e a chiqueza foi-se toda pu’ar.
Já consegui captar a vossa atenção? Boa! Então reza a história o seguinte:

Fui passar o fim-de-semana a Setúbal e para terminarmos em grande o weekend resolvemos ir no domingo para Tróia, para a nossa praia de eleição, para o nosso spot mais querido, para o nosso pedacinho de areia mais desejado do mundo. Precisávamos de soltar as patinhas da nossa cadela e ali é o sítio ideal.

Eram para aí umas 16h30, quando de repente passámos de bafão-africano, daquele super intenso, meio nublado, soturno, pesado, para um frio esquisito.
Tão estranho que o maridão virou-se para mim, que estávamos perto da água, e disse: “está a ficar frio ou é impressão minha?”.

Ele acaba de dizer isto e passados 10 segundos (juro, não estou a gozar!!!) levanta-se a maior ventania que eu já alguma vez presenciei na vida. Assim uma coisa à Hollywood, mesmo como naqueles filmes de catástrofes naturais que começam o guião da película a acompanhar o dia-a-dia perfeitamente normal, da família ou casal, até que se dá a desgraça e tudo o que era perfeito muda radicalmente e começa a demanda pela vida? Estão a ver? E tudo numa fracção de segundos? Exacto! Foi isso mesmo que aconteceu.
O vento ficou completamente descontrolado. As pessoas começaram todas a correr, as crianças a chorar. Muitos que estavam dentro de água começaram a correr desalmadamente para as toalhas e todos estávamos a ser fustigados por vergastadas de areia que mais pareciam chumbo.

Só assim o cenário era assustador o suficiente, mas eu só fiquei em pânico quando olhei para a minha filha de 4 patas e ela estava completamente desorientada, muito estranha, e em pânico total. Só ai me assustei à séria, porque sou daquelas que acredito que os animais, especialmente os cães, pressentem estas catástrofes melhor que nós. E foi ai que me passei completamente.

Baixou em mim os instintos todos, fiquei em modo rambo e pronta para evacuar aquela praia toda. O mar estava negro de assustador, como nunca o tinha visto, e eu só pensava “Marta, não olhes para o mar. Não olhes!”. Olhei em vez para as nossas sombrinhas moribundas que lutavam por se manter firmes na tempestade, e corri com todas as forças. Só pensava em agarrar a mala (que tinha as chaves do carro), a coleira e a trela da Concha, porque ela estava em freestyle na praia e para fugir só assim é que conseguiríamos.

À minha volta centenas de pessoas estavam em pânico. Pais a resguardarem as suas crianças. Bebés a chorar (acho que foi das coisas que me fez mais impressão). A praia a sair em debandada. Uma coisa… inexplicável. Lá cheguei à toalha, agarrei nas coisas com todos os braços que tinha e não tinha. O João apareceu com a cadela pelo cachaço. Consegui meter a coleira e a trela e só me lembro dele me dizer: “Vai já para o carro com ela, mete a chave e deixa o carro ligado, que eu vou só pegar nas nossas coisas todas”. Eu assenti.
Fui em passo de corrida, o mais que consegui, com livros, revistas, comida, a cadela, a mala e a bolsa, onde tínhamos documentos, chaves, telemóveis, tudo. Passei, mais rápido, por muitas pessoas assustadas e por famílias a tentar gerir uma saída com mais logística que a minha.
Coitados, era o que pensava.

Cheguei finalmente ao carro. Um percurso que me parece sempre tão perto e que ontem senti que foram quilómetros percorridos. Deixei cair tudo no chão para abrir a viatura, meti a Concha lá dentro para não fugir e enfiei tudo à bruta no porta bagagens. Liguei o carro. Estávamos prontos para a fuga. Esperei. Esperei. Esperei. Via pessoas, muitas, mas nenhuma cara era a que procurava. Onde é que está o João? Ele vinha mesmo atrás de mim. Como assim estar a demorar tanto tempo? O que é que se passa? O João nunca mais aparecia e o cenário dantesco continuava. Cada vez mais pessoas a sair da praia e a correr para não-sei-onde.

Sai do carro já prestes a ir buscá-lo, quando lá o avisto no passadiço, ao fundo, com as nossas sobrinhas, toalhas e muitos mais objectos desconhecidos. Afinal tinha ficado para trás para ajudar uma família que não estava a dar conta da fuga e uma senhora mais velha que não estava conseguir controlar o cão. Sei que é muito lamechas, mas a imagem foi bastante heróica. So proud of my love!!

Ele lá colocou as pessoas sãs e salvas no seu caminho. A senhora do cão veio até mim agradecer o gesto do marido-herói. E entrámos dentro do carro. Só me lembro de dizer: “ARRANCA QUE NÃO VAMOS DE BARCO”!!!!!!!

Acham que perante aquele cenário me ia enfiar num barco?! Estas pessoas não vêem filmes de acção?!?! Fomos à volta só para garantir. Preferia estar no meio do Alentejo profundo numa calamidade, que no meio do rio da península. No caminho voavam galhos, ramos, pinhas na nossa direcção, na direcção dos outros carros, foi uma sorte não sermos atingidos.

Olhem… foi a aventura!!
A cereja no topo do bolo foi quando estávamos a chegar a Alcácer liga-nos o nosso vizinho-amigo, que mora na casa ao lado da nossa, para nos dizer que deveríamos fechar o toldo do terraço que aquilo estava prestes a voar. E nós onde??? No meio do Alentejo!!!! Que bom!!! Palminhas para nós. Rezei a todos os santinhos para salvaguardar o património e a prece foi atendida. O que vale é que o vento amainou e o toldo manteve-se pregado à nossa casa. Como nós ficámos agarrados ao que de mais importante existe – o amor e a família.

Ufa! Episódio a recordar, mas NÃO a repetir sff.
Obrigada, o meu coração agradece.

*Para quem neste momento acha que estou a exagerar na história pode comprovar pelas notícias que saíram sobre o epifenómeno meteorológico em várias publicações de referência. 

Seguir:
Marta Neves
Marta Neves

Encontrei no universo feminino a minha missão: partilhar, aprender e ajudar. Nasceu o Marta Neves, para me sentir mais eu, mais em sintonia com a minha essência. Despida de formalismos ou preconceitos, serei EU. A mulher. Apaixonada de coração pela vida e pelos outros.

Share:

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.