Um computador do demo…

Um computador do demo…

 

Vocês não estão bem a ver o que é que aconteceu esta noite…

Agora, só me apetece rir, mas digo-vos que na altura fiquei com o meu esfíncter anal do tamanho de um caracol em época baixa à conta de um computador do demo.

O MESMO TODOS OS DIAS

Quase sempre é assim:

Chegamos a casa por volta das 20h, que isto de viver no campo e trabalhar em Lisboa tem as suas manhas, preparamos o jantar, arrumamos algumas coisas que precisam de regressar ao seu lugar de origem, estendemos ou recolhemos roupa da corda, damos de comer à Conchita-Maria, jantamos por volta das 21h, de seguida vamos passear a bicha, para que ela possa soltar as patinhas, regressamos por volta das 22h, vestimos o pijama, lavamos os dentes e aterramos no sofá.

O João alapa-se, do lado esquerdo, ao computador para jogar a qualquer coisa, enquanto partilha o ecrã com algum canal de televisão onde esteja a dar um dos 234567 mil comentários futebolísticos e eu, à direita, agarro-me à Netflix ou a uns vídeos no Youtube, partilhando a chaise long com a cadela de 35kg.

Ficamos ali, os três, debaixo das mantas, até sucumbirmos ao tão aguardado sono. Depois, há sempre alguém que acorda, ou porque está numa posição ingrata ou porque o volume dos anúncios na TV provocou uma lobotomia cerebral momentânea e grita: “bora, vamos para a cama”.

Segue-se um período de revolta, no meu caso (custa-me sempre horrores levantar-me do sofá para a cama), um momento de falsa incompreensão por parte da Concha (falsa!) e um grito do ipiranga por parte do maridão, que segue sempre à frente, como pack-leader da desgraça. Ele é muito chato nestas coisas (nestas e não só… adiante).

CHEGADOS AO QUARTO

Depois de termos deixado as mantas e os computadores no piso de baixo, é o belo do “xixi-cama”.

Um prepara os aposentos enquanto o outro está na casa-de-banho e depois rendemos a guarda. Às vezes ainda dá tempo para uma pequena olhadela pelo feed do Insta, outras vezes só dá mesmo para um caminhar-zombie até à cama.

Assim, foi.

Os três na cama… sim, a Concha dorme em cima da nossa cama, no meio de nós com aquele seu corpitxo de criança com cinco anos, não vamos falar sobre isso, é um assunto tabu, ok?

As luzes apagaram-se e silêncio.

O QUE É ISTO?

Estávamos nós nos nosso quinto sono quando no fundo do meu inconsciente, lá bem ao longe, oiço uma espécie de barulho.

Lentamente, começo a retomar à consciência, quando me apercebo que, realmente, há ali um barulho qualquer. Mas o que será?

Abro com cuidado os olhos, tento perceber o que está à minha volta e tanto o maridão como a Conchita estão a ressonar. O normal…

Ok, o barulho não vem deles. Eliminei as suas respirações pesadas e ficou só mesmo isso: sons estranhos, vindos de uma espécie de conversação que não conseguia identificar.

Serão os vizinhos?

Não, Marta. Vives, agora, numa casa. Não há barulhos de vizinhos como se vivesses num apartamento.

Oh, que raios! Que será, então?

Nesta fase, depois de ter despistado tudo em menos de dez segundos, comecei a ficar preocupada e, diga-se de passagem, assustada.

O barulho que ouvia vinha da nossa casa. Era um homem a falar, não percebia o que estava a dizer, e tinha de acordar o João para ver o que se passava.

Dei-lhe, levemente, um toque nas costas para acordar.

“Hum… que é que se passa?”, perguntou-me baixinho.

“Não estás a ouvir? Há vozes a vir lá de baixo. Na nossa casa…”

Ele sentou-se, rapidamente na cama, como se nesta posição o ouvido sintonizasse melhor os ruídos e sussurrou: “o barulho vem lá de baixo, vou ver o que é”.

Sustive a respiração.

Pé ante pé, ele aproximou-se da porta do quarto. Abriu-a sem fazer barulho. Pegou num sapato que estava à porta (era uma arma branca muita’forte em caso de auto-defesa… #NOT) e desceu cuidadosamente as escadas.

Seguiu-se um período de silêncio, que na verdade foram cinco segundos mas que a mim me pareceu uma eternidade, e acabaram os barulhos.

Ouvi os passos do João a subir as escadas, de novo, em direcção ao quarto.

“Era o meu computador que estava aos berros”.

“O teu computador? Como assim? Eu vi-te a fechá-lo antes de subirmos?”

“Yep, aparentemente, ele funciona mesmo desligado e decidiu reiniciar com um monólogo do Dave Chappelle”.

Que culto, poderia pensar, se não tivesse sido o cagaço que ele me pregou nestes dez minutos de vida que já não vou conseguir recuperar nunca mais.

O melhor deste episódio foi perceber que a nossa casa este ameaçada e invadida momentaneamente pelo ladrão Chappelle, podíamos ter morrido todos (a rir) e o único ser que teria obrigação de nos salvar (e não a pantufa na mão do João) era a Concha, aka o PIOR cão de guarda à face da terra. É que nem acordou, nem suspirou, nem parou de ressonar.

Palmas, são 03h45 da madrugada e sentimo-nos, todos, muito mais seguros depois disto…

#NOT

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Marta Neves
Marta Neves

Encontrei no universo feminino a minha missão: partilhar, aprender e ajudar. Nasceu o Marta Neves, para me sentir mais eu, mais em sintonia com a minha essência. Despida de formalismos ou preconceitos, serei EU. A mulher. Apaixonada de coração pela vida e pelos outros.

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