Um dia ainda mato esta cadela: Mas com um filho vai ser assim? Não! Vai ser pior!

Um dia ainda mato esta cadela: Mas com um filho vai ser assim? Não! Vai ser pior!
Um dia ainda mato esta cadela: Mas com um filho vai ser assim? Não! Vai ser pior!

Estas foram as únicas palavras proferidas ontem às 4h da matina depois de eu e o Senhor-Lá-de-Casa termos estado de prevenção e medinho com um comportamento, deveras estranho, da Sra. Dona Concha Maria.

Pois que pouco antes das 4h ela começou no nosso quarto, sim a nossa cadela dorme no nosso quarto connosco, vamos ultrapassar este facto and moving on…, com umas movimentações muito estranhas. E desde o episódio de epilepsia pareço uma recém-mãe em sobressalto sempre que a sua cria se mexe no berço. Sou eu!

A cadela mexe-se e eu acordo.
“Ah, foi só ela que sonhou”
“Ah, foi só ela que se coçou”
“Ah, foi só ela que se lambeu”

E por ai vai…

Mas ontem foi diferente. Ela mexeu-se muito. Depois levantou-se. Depois começou a andar pelo quarto, de um lado para o outro, e como temos aquele chão flutuante as unhas das patinhas dela fazem um barulho para lá de irritante. Depois sentou-se ao pé da porta e com o seu rabo gordo fechou-a num estrondo.

Foi nessa altura que o João decidiu acender a luz com medo do cenário a encontrar. Lá estava ela sentada ao pé da porta, um pouco ofegante, e a lamber a sua própria boca mais do que o normal. O João chamou-a, ela lá veio a medo, começou a roçar-se toda na parede ao pé da cama dele e sempre ofegante. Vai daí, começámos a panicar um pouco. Os sintomas eram quase os mesmos que antecederam ao primeiro episódio de epilepsia.

Ai, ai, ai… comecei a ficar nervosa. Disse “vamos colocá-la de lado para o caso de haver algum ataque ela já está em posição de segurança”. Já de lado, o João começou a fazer-lhe festinhas para ver se a acalmava, mas nada. Continuava a lamber-se muito, a arfar, muito irrequieta.

Vai dai o João diz-me “fica aqui ao comando das festas que eu vou só à casa de banho e já volto”. Mal ele pôs o pé fora da cama a cadela dá um salto e fica com uma linguagem corporal igual aquela que tem quando VAI À RUA!

Hum… “stragers in the night” foi o que me apeteceu cantar, em vez disso gritei “não achas que se calhar é melhor levá-la à rua?”. O João exclama da casa-de-banho “estás maluca? a esta hora”.
Eu reforço “epah, é que ela parece mesmo que quer ir à casa de banho… também!”.
Para testar a minha teoria levanto-me, abro a porta do quarto e era vê-la a cavalgar para o pé da porta e a raspar a porta da rua com a patinha. BINGO!!!!!

Na sua cabeça de cadela devia ser qualquer coisa como “Filhos da mãe, castradores de necessidades, abram-me a porta já! Eu estou a avisar. Se não o fizerem vai ser muito pior. Acreditem em mim. Preciso de ir à casinha, vulgo rua, ASAP”!!!!!
O João voou da casa-de-banho, em menos de nada transmorfou-se e saiu com ela.

Passados alguns minutos, oiço a porta a abrir, chegam os dois, enfiam-se no quarto, o João volta para a cama e diz:
“A tua filha está morta pu’dentro! Não tens noção do que ela fez na rua. E o cheiro!??! Ppppfff… a sério, a cadela não está nada bem”.
Eu reforcei “está morta pu’dentro e vai à procura da morte por fora. Deve ter sido algum cadáver,de algum animal que descobriu no Jamor e andou a brincar com ele. Tão porquita, pah! Depois dá nisto! Come porcarias e depois tem desarranjos nocturnos”…

Silêncio às 4h40 da manhã. Nós os dois sem pregar olho depois do fandango… 

Ele: “Olha lá, com filhos é assim também? Não sei se vou aguentar…”
Eu: “É PIOR! MUITO PIOR!!”

Um dia ainda mato esta cadela: Mas com um filho vai ser assim? Não! Vai ser pior!

Silêncio total…

É assim…
Quando numa noite todo um futuro no admirável mundo da maternidade e paternidade é colocado em causa graças a uma cadela-cagona. Um dia ainda mato a cadela… um dia…

FYI: a Concha continua a não estar bem dos intestinos, espera-nos um longo dia de vigília à bicha para ver se quando chegarmos a casa não temos uma surpresa daquelas espectaculares.
Boa terça-feira, minha gente!!! Depois desta odisseia tudo pode correr bem! Pensamentos positivos, porque cheiros nauseabundos já há muitos. 

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Marta Neves
Marta Neves

Encontrei no universo feminino a minha missão: partilhar, aprender e ajudar. Nasceu o Marta Neves, para me sentir mais eu, mais em sintonia com a minha essência. Despida de formalismos ou preconceitos, serei EU. A mulher. Apaixonada de coração pela vida e pelos outros.

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5 Comments

  1. Janeiro, 2016 / 1:14 pm

    Bem vinda à maternidade! Isto é dito por alguém que tem dois filhos e duas cadelas. Já alcançaste a maternidade animal, deixa lá que a outra também é deveras interessante. Facto aterrador: ficamos dependentes, não conseguimos viver sem nenhuma das criaturas, tenham duas ou quatro patas!
    Beijinhos 🙂

    • Janeiro, 2016 / 3:52 pm

      MESMO! MESMO! MESMO!!!! Assim por baixo de TUDO! É incrível o amor que sentimos por estes bichinhos e quando for o de duas patas ainda vai ser mais avassalador. Ahahahha!!!!

  2. Janeiro, 2016 / 3:36 pm

    Não estão sozinhos nisso! Nós somos iguais ou piores com os nossos bichos. Agora imagina que a gata deu-lhe para perder pêlo… Andamos loucos!!

    • Janeiro, 2016 / 3:51 pm

      A sério?!?!?! Também??!?! A Concha também está a perder imenso pêlo… Será que está na altura de alguma coisa que nós não sabemos, mas o reino animal está a mudar de casaco?!?!?!!? Deixo a questão no ar!!!!!

  3. Janeiro, 2016 / 12:41 am

    Adorei =D eu com um cão e um gato, é sempre um forrobodó! Como costumo dizer quando me perguntam por filhos: estou a fazer o estágio com o cão, porque este bichinho é quase um bebé! =)

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