Um dia mato a cadela: Ep: O dia em que a Concha tentou assassinar uma família de patos

Um dia mato a cadela: Ep: O dia em que a Concha tentou assassinar uma família de patos
Um dia mato a cadela: Ep: O dia em que a Concha tentou assassinar uma família de patos

Sim, isto é verídico e aconteceu na minha hora de almoço.
Exactoooooooooooo!

Quando cheguei a casa, à hora do almoço, lá estava ela com aquele seu arzinho de “Dona, estou tão triste e abandonada. Senti muito a tua falta, sabias?”. Falsa! Tudo mentira, mas aquele olhar mata-me e aquele focinho, fofo que dói, manipula-me todos os pedaços da minha alma.

Agarrei-me logo a ela, fustiguei-a com abraços e beijinhos, como sempre (eu acho que ela odeia, but…i don’t care!), coloquei a trela e lá fomos nós. No caminho para a rua pensei: coitadinha, deve ter estado triste à minha espera, por isso vou levá-la ao sítio que ela mais gosta para se divertir e ficar feliz na minha ausência à tarde. Sim, eu penso nestas coisas todas, como se a minha cadela fosse racional e uma mini-pessoa com 5 anos. Shame on me, eu sei!

Lá descemos para o Jamor. Sitio do costume. Diversão garantida. E ao fim de um bom bocado dirigi-me para o local da lá-piéce-de-lá-resistance – o rio do Jamor. Ela já sabe que vamos para lá. Começa a ficar mais agitada, a cheirar o ar, toda feliz e contente porque sabe que vai dar uns mergulhos. Adoraaaaaaaaaaaaaaaa, especialmente com este calor.

Quando chegámos ao nosso local, que é uma parte mais limpa, com água corrente e que tem uma mini “cascata”, ele estava a ser utilizado por uns miúdos que decidiram ir aí ao banho. Não vou comentar esta parte, ok?
Fiz como se faz na praia, andei mais para outro lado para termos privacidade e para ela nadar louca à vontade. Uns metros à frente soltei-a e ela, num tiro, desceu a margem e entrou em modo BOMBA dentro de água. Poucos segundos passaram até que ela percebeu que a 1 metro, ao seu lado esquerdo, estava UMA FAMÍLIA DE PATOS que, claramente, estava sossegada da sua vidinha, a passear no rio.

A pata mal cruzou olhar com a Concha enlouqueceu. Começou a grasnar desalmadamente, o que na linguagem patal deverá ser qualquer coisa como: “FUJAAAAAAMMMMMMM!!!!!!!!!! Godzila is in the water!!!!”. E os dois machos começaram freneticamente a direccionar os 6 patinhos bebés riacho acima.

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Escusado será dizer que se instalou a feira animal ali mesmo. Foi assustador, porém maravilhoso, ver a natureza em acção. A Concha com o seu instinto de labradora-destrambelhada-pseudo-caçadora-retriver a tentar chegar perto dos patos, nem sei se era para fazer mal, acho que era para brincar, porque ela tudo o que mexe interessa como brincadeira, a pata a tentar salvar a sua descendência e eu a ver a pata a bicar a Concha não tarda nada, que se há bicho maléfico são os partos. Maus!

Cada investida que a Concha fazia, a pata retaliava com sons, abrires de asas e ameaças de agressão. Sempre que a Concha corria atrás dos patos a confusão instalava-se. Nisto, foram subindo, subindo, subindo o rio até chegar ao tal sítio com a mini-cascata. Os patinhos ficaram encurralados, porque não conseguiam subir a cascata, a pata estava louca de gritos e a Concha estava feita bully ora na água a encurralá-los ou nas margens a impedir que eles subissem. Sacana da bicha que é boa de guerrilha.

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A minha terrorista de quatro patas lá começou feita cão-crodila de uma margem para outra a nadar para não deixar passar os bichinhos aflitos, até que ficou presa nus galhos que estavam na margem. Ai eu paniquei. Porque ela estava em zona sem pé, ou melhor sem pata, e se não se conseguisse desenvencilhar a coisa podia correr mal e, na pior das hipóteses, afogar-se!

Tudo isto passou pela minha cabeça em segundos. Já me estava a ver a saltar para dentro do rio em modo Baywatch do Jamor, mas de repente percebo que ela não está aflita nos galhos… está a fuçar.
Fuçar o quê?!

Descobri passado poucos segundos! Ela descobriu, na sua própria aflição, no meio dos galhos na margem, um cadáver de pato!!! Sim, um pato MORTO!!!!!! Estava hirto que nem um pau e, claro, ela abocanhou-o e veio toda feliz para a margem fazer uma “parade” da sua caça. Foi aí que atirei a toalha ao chão and call-it-a-day! Chega! Para mim chega! Comecei a berrar, a chamar-lhe todos os nomes. A tentar chegar ao seu pequeno cérebro de feijão murcho, mas quando ela está neste frenesim selvagem não houve nada nem ninguém. E, claro, ignorou-me com todos os pelos que tem no focinho.

A minha gritaria preocupou um funcionário da câmara que estava  afazer limpezas ali nos arbustos e lá veio ter comigo para saber se precisava de ajuda. Não sei se foi por me ter visto a falar com outra pessoa ou a chegada de alguém que não conhecia, só sei que ela despertou do transe e veio toda contente e feliz nadar para o meu lado. Largou o cadáver no processo e subiu a encosta para ver com quem é que estava a falar. Agarrei logo nela com todas as forças. Pus a trela e ala que se faz tarde!! UMA hora neste fandango foi obra e eu estava prestes a matá-la.

Íamos no caminho de volta, eu a ralhar com ela como se ela tivesse 4 anos, a explicar-lhe tudo aquilo que ela tinha feito de mal (como se ela percebesse o meu latim), quando se atravessa à nossa frente uma COBRA na estrada!

Juro, do pânico nem tive acção para mais nada. nem para gritar, nem para correr, nem para fugir. Ela passou de uma ponta da estrada para a outra em alta velocidade, serpenteando-se de medo, para se enfiar nos arbustos outra vez. Só tive tempo de me pregar ao chão, porque a gorda da minha cadela saltou na direcção dela e a sorte das sortes foi eu ter posto a trela e ela ainda teve que levar comigo na investida de caça, senão… senão, meus amigos estaria a escrever-vos do Jamor profundo, cortada das silvas e esbaforida do calor, porque ainda estaria à procura da Concha-Jones que resolveu revoltar-se contra o mundo animal.

Note to Self: Marta, começa a pensar em passear a tua cadela noutro sítio. Pela tua saúde. É que o BBC Vida Selvagem não é MESMO a tua cena. Cabelos brancos. Cabelos brancos é o que eu ganho à conta desta cadela. Aceitam-se candidaturas para ficar com ela, sff.

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Marta Neves
Marta Neves

Encontrei no universo feminino a minha missão: partilhar, aprender e ajudar. Nasceu o Marta Neves, para me sentir mais eu, mais em sintonia com a minha essência. Despida de formalismos ou preconceitos, serei EU. A mulher. Apaixonada de coração pela vida e pelos outros.

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