Um ensaio sobre a morte: Que árvore queres ser depois de morreres?!

Um ensaio sobre a morte: Que árvore queres ser depois de morreres?!
Um ensaio sobre a morte: Que árvore queres ser depois de morreres?!

A morte não é um assunto que queiramos falar de ânimo leve. Fugimos ao tema. Não tocamos no assunto. Fingimos que não está lá, que não existe. Não é um tema de circunstância, sexy ou apetecível. 

Contudo, é um assunto inevitável. Diria mesmo incontornável. Não há ninguém que não passe por um momento de morte ou perda na sua vida e que não tenha que lidar com ele.
Não falamos sobre a morte para enganar o destino, mas a todos toca. ninguém fica cá para contar a história.

Mas alegrem-se que este post não é sobre morte, é sobre vida!

Hoje, no Você na Tv (há que dar o mérito ao programa que traz sempre novidades), tive conhecimento do projecto de um casal de portugueses, empreendedores, que está a tentar implementar em Portugal um estilo de funeral totalmente biodegradável, sustentável e económico, cujo o único propósito é transformar cemitérios em florestas.

A premissa é simples: E se depois da morte formos uma árvore?

Achei o conceito extraordinário, genial e dignificante e, por isso, tinha que partilhar com vocês.

Sabiam que é preciso matar duas árvores para construir um caixão?! E se em vez de matarmos duas, fizéssemos nascer uma?

O Nuno e a Raquel Gonçalves importaram para Portugal a ideia das urnas ecológicas biodegradáveis.
Em 2014, fundaram a SigmaPack, a primeira empresa europeia com certificação de sustentabilidade.

Um ensaio sobre a morte: Que árvore queres ser depois de morreres?!

Esta empresa portuguesa disponibiliza os seus serviços fúnebres ecológicos para que possamos ter cinzas transformadas em árvore. 
Carvalhos, faias, pinheiros, gingkos. Florestas no lugar de cemitérios tristes e corrosivos. Que melhor forma de retornar à vida do que por meio da natureza?

Um ensaio sobre a morte: Que árvore queres ser depois de morreres?!

Para além do valor ecológico e simbólico deste funeral existe ainda o factor económico. Sabiam que em Portugal cerca de 80% das cerimónias tradicionais são pagas pela família, numa valor mínimo de 1600€?! Eu não fazia a mínima ideia…Por isso, é que muitas famílias ficam presas a uma dívida, para além da perda.

Nuno e Raquel explicaram que com a a SigmaPack os valores do serviço podem ficar por valores abaixo dos 100€, quando só a urna de madeira para cremação custa, no mínimo, 200. O ritual fúnebre inclui uma urna clássica a envolver a Restbox – de aspecto luxuoso, embora feita da compactação de restos –, e no fim apenas é cremada a urna ecológica biodegradável no interior (a Restbox fica, assim, livre para ser usada noutros funerais).

A melhor notícia surge na fase seguinte com as urnas Bios – uma urna biodegradável composta por duas partes: uma cápsula que permite a germinação da semente de uma árvore e um contentor exterior onde se colocam as cinzas humanas – um produto que descobriram em Barcelona e custa 103€ online.

Um ensaio sobre a morte: Que árvore queres ser depois de morreres?!

Com as urnas Bio, em vez de se guardar as cinzas do ente querido num pote, são colocadas nesta urna à base de turfa, casca de coco e celulose, com uma semente à escolha, e vão originar uma árvore.

Esta ideia é maravilhosa. Já imaginaram fechar o ciclo de vida desta forma tão bonita, tão memorável, tão eterna? A mim fez-me simplesmente um clique. Fez-me todo o sentido, especialmente quando para mim ir ao cemitério é sempre um processo desconfortável. Toda aquela pedra, aquela frieza, despojada de vida. Têm um ar abandonado. Já para não falar nos custos da compra de terreno e outras custas que podem elevar até quase o dobro a despesa inicial. Não sei se sentem o mesmo…

Este serviço já está disponível em Portugal e pode ser efectuado em humanos ou em animais.

Aliás, é sobre estes últimos que o serviço tem tido maior procura. Numa tentativa dos donos prestarem uma última homenagem aos seus mais fiéis amigos. 

De norte a sul, não têm tido mãos a medir com os serviços fúnebres ecológicos PerPETuate, que incluem a recolha e transporte do corpo do animal, cremação, emissão de documentos de controlo e certificado de cremação (cumprindo os requisitos legais) e devolução das cinzas na urna Bios. No ano passado houve 150 pedidos de Bios, 60 dos quais para animais. O PerPETuate varia entre os 240 e os 400€ – caso tenham de ir ao Porto buscar um animal de 50 quilos, por exemplo.

Quando a árvore começar a crescer, é só escolher onde plantar. A ideia do projecto é transformar os cemitérios em árvores, dando ainda um novo sentido à homenagem que se faz depois da morte de um ente querido.

Se pensarmos que ao longo dos tempos, vários povos antigos perspectivavam a árvore como símbolo de imortalidade, podemos considerar que cuidar de uma planta com amor é sempre preferível ao vazio de uma perda.

Porquê morrer para sempre quando podemos permanecer imortais?

Fiquei a pensar nisto…

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Marta Neves
Marta Neves

Encontrei no universo feminino a minha missão: partilhar, aprender e ajudar. Nasceu o Marta Neves, para me sentir mais eu, mais em sintonia com a minha essência. Despida de formalismos ou preconceitos, serei EU. A mulher. Apaixonada de coração pela vida e pelos outros.

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4 Comments

  1. Abril, 2016 / 2:57 pm

    é a melhor ideia de sempre. Eu fiz isso com a minha mãe e não há dia que não pense que uma nova vida nasce dali. com a vantagem de se puder escolher que planta se quer. mil xs a uma urna em casa ou atirar ao mar etc..

    • Abril, 2016 / 4:06 pm

      Obrigada pela partilha! Foi exactamente isso que pensei quando vi a noticia. Acho uma ideia maravilhosa e uma dignificante humanização da morte. Obrigada. Obrigada!!!!

  2. Abril, 2016 / 12:39 pm

    Grata pela sua partilha, Marta!
    É bom receber os feedback positivos do nosso Projecto e saber que faz todo o sentido seguir em frente 🙂 Obrigada!!

  3. Abril, 2016 / 12:40 pm

    Grata pela sua partilha, Marta!
    É bom receber os feedback positivos do nosso Projecto e saber que faz todo o sentido seguir em frente 🙂 Obrigada!!

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