Uma viagem, um pedido de casamento e uma fanny pack

Uma viagem, um pedido de casamento e uma fanny pack
Uma viagem, um pedido de casamento e uma fanny pack

A propósito do Dia dos Namorados, concorri (estupidamente) a um passatempo da TAP que nos desafiava a escrever um texto sobre uma história divertida que se tenha passado connosco e com a nossa cara metade, em viagem.

Eu convencidissima de que a minha história do meu pedido de casamento era BAFO, decidi escrever um belo de um textinho. Por esta altura não sei se ganhei porra nenhuma, mas valeu pelas gargalhadas que já dei à conta de uma trip down to memory lane. Pelo menos esta foi engraçada. Ahah!

Querem saber como foi o meu super-secret-pedido de casamento? Eu sei que sim, suas cusquinhas de serviço. Só vos posso dizer que envolve uma viagem e uma fanny pack. Ah pois é! Cá vai disto:

First things, first! Corria o ano de 2012. Tínhamos ido viver juntos há cerca de poucos meses e este era o nosso primeiro Verão como companheiros-amantes de casa. Para celebrar em grande decidimos marcar uma viagem-de-férias-grandes para um destino que fosse suficientemente perto de Portugal para aproveitarmos ao máximo e porque, sejamos sinceros, ambos (os dois!) temos um pouco (muito) pavor em andar de avião.
Maiorca e Minorca foram os destinos escolhidos e a data, final de Agosto, para apanhar o meu aniversário a 29 desse mesmo mês. Acho que contei todos os dias, minutos, segundos até lá chegar. Precisávamos mesmo de aproveitar aquele tempo a dois. Tinha sido um ano cheio de mudanças e desafios profissionais e, por isso, queríamos desfrutar ao máximo.

Finalmente chegou o dia de partir. Viajámos pela TAP (como sempre!) e chegámos primeiro a Maiorca, onde passámos cerca de 5 dias e só depois fomos de barco explorar Minorca onde íamos ficar nos últimos 3 dias de férias. Confesso que gostei muito de conhecer Maiorca, mas Minorca conquistou-me o coração (especialmente por tudo aquilo que aconteceu depois…). Mais pequena, mais isolada, não tão explorada turisticamente, uma pérola aqui tão pertinho de nós. Estivemos em praias tão lindas e em águas tão límpidas que quase parecia que estávamos nos trópicos. Mas é também aqui que começa a minha história…

Desde que embarcámos nesta viagem, o Senhor-cá-de-Casa andou sempre, mas quando eu digo sempre é SEMPRE com uma fanny pack atrás. Sabem do que estou a falar, certo? Aquela  bolsa de atar à cintura, popularizada por ser um must na indumentária da terceira idade. EXACTO, essa mesma.
Bom (estalo de língua), ele andou todo o santo dia com aquilo para a frente e para trás. Ora quando íamos tomar o pequeno-almoço, ora quando íamos à praia ou piscina, até quando íamos jantar fora. A principio não estranhei. Opah, era a cena dele. Estava a sentir o mood da bolsa… whatever. Mas já no final das férias comecei a achar aquele afecto muito estranho, especialmente a atitude dele quando eu tocava na bola, para a reposicionar na praia ou para o ajudar a colocá-la. Ficava muito agitado, nervoso. Claro que agora a coisa me parece clara, mas na altura achei só estranha. Adiante…

Chegou finalmente o dia 28 de Agosto, véspera do meu aniversário (apontem já na agenda). Como tínhamos que começar o percurso de volta à realidade no dia seguinte, os festejos do meu b-day tinham que acontecer na noite de 28 para 29. Comentei com o Senhor-cá-de-Casa, depois da praia, que gostava de marcar um jantarzinho mais especial na ilha, ao que ele me informou que “já tratou de tudo”, o que na língua-de-Senhor-cá-de-Casa significa algo de muitoooooo estranho. Hum… interesting. Gostei e não questionei.

Lá me despachei para jantar. Vesti a griffe para arrasar e esperei para ser surpreendida. Jantámos na zona da marina, num sítio espectacular, mui-fancy. E depois da sobremesa ele disse-me que tinha marcado a nossa entrada num sítio muito exclusivo e bonito da ilha, uma espécie de clube (acho que também tem restaurante) com música ao vivo – uma GRUTA escavada numa rocha gigantesca com a melhor vista sobre o mar de TODO O SEMPRE. Eu nem queria acreditar. Tanta iniciativa, meu Deus. Melhor aniversário de todo o sempre, clap , clap, clap Senhor-cá-de-Casa, muitos pontos estás a ganhar!
Quando lá chegámos a vista e o espaço eram 3 mil vezes mais espectaculares do que ele me tinha descrito. A Cova d’en Xoroi é tudo isto e muito mais. Só estando lá é que se percebe a grandiosidade da coisa. Olhem lá, coisa mai’linda!

Uma viagem, um pedido de casamento e uma fanny pack

Uma viagem, um pedido de casamento e uma fanny pack

Há medida que a noite ia avançando, o espaço ia ficando cada vez mais cheio, a música cada vez mais alta e o ambiente mais cluby. Aproximava-se, também, a meia-noite. Altura em que ia cantar os parabéns naquele cenário. Priceless!
Quando faltavam cerca de 10 minutos para a meia-noite, o Senhor-cá-de-Casa pegou na minha mão e disse-me: “anda aqui comigo que quero dar-te o teu presente de aniversário”. Uépá! Presentinho?? Vou já, já! Puxada por ele, pela mão, percorremos freneticamente o espaço, com ele a comandar as tropas. De inicio pensei “ok, ele quer um espaço específico, fugir à confusão”, mas depois a procura estava a ficar demasiado obsessiva, com ele a vascular a gruta (salvo seja) como se estivesse à procura de ouro. “hum… aqui está muita gente”, “não, não, aqui não dá”, “olha aquele sítio. Bolas, sentaram-se lá duas pessoas”.  Até que ele disse, vamos para o carro. Say what?!?!?!? Como ele estava tão decidido, nem tive coragem de questionar. Chegámos à porta, mas o segurança não nos deixava sair. S.u.r.r.e.a.l. Dizia-nos que se saíssemos não podíamos voltar a entrar, que a politica da casa era essa, bek bek bek. Perante a impossibilidade do espaço e a intransigência do segurança o Senhor-cá-de-Casa começou a ficar exaltado e eu a pensar que ainda ia apanhar um banano na cara ao bater da meia-noite.

Perante o cenário potencialmente dantesco, disse-lhe “Não faz mal, dás-me o presente amanhã ou quando chegarmos ao hotel. Não tem problema. Vamos aproveitar o resto da noite?!”. Com um olhar esgazeado, ele pega na minha mão, leva-me para um mini miradouro que tinha acabado de vagar na Cova (salvo seja), e ao som da meia-noite ele começa a abrir a FANNY PACK. Sim, ele estava com ela à cintura!!!!!!!!!!!
Ao que eu pensei… Ai, ai, ai é um iPHONE!!!! Que era a coisa que eu mais andava a chorar. Estava convencida de que era a única pessoa do mundo que não tinha um iPhone, andava com um telemóvel Denver-o-último-dinossauro.
Perante essa possibilidade sorri desmesuradamente e aguardei pela caixinha branca da Apple. Mas saiu uma caixa bem mais pequena vermelha de veludo. A partir deste momento a sensação que tenho é de extra-body-experience. Em milésimos de segundos pensei: “Porra, não é o iPhone”, mas depois fez-se luz. É um anel… que anel? Eu não pedi nenhum anel? Ai…ai… ai… será que…
E ainda antes de terminar este pensamento supersónico ele ajoelhou-se na cova (salvo seja), abriu a caixinha vermelha e disse Marta, queres casar comigo?!

Qual foi a minha primeira frase? “Levanta-te, levanta-te!!!”, que estúpida! E depois de ter caído a ficha (que isto é muita emoção) agarrei-me a ele a dizer que sim vezes e vezes sem conta.
Não recebi o telefone, mas ouvi a pergunta mais espectacular que mudou a minha vida. É por este motivo que Minorca ficará para sempre nos nossos corações, é por isso que nunca devem questionar uma fanny pack, porque nunca se sabe que sonhos ela encerra.

PS: Não se preocupem, já tenho o iPhone, ele ofereceu-me precisamente um ano depois, um dia antes de nos casarmos. Marido bom!

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Marta Neves
Marta Neves

Encontrei no universo feminino a minha missão: partilhar, aprender e ajudar. Nasceu o Marta Neves, para me sentir mais eu, mais em sintonia com a minha essência. Despida de formalismos ou preconceitos, serei EU. A mulher. Apaixonada de coração pela vida e pelos outros.

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